Desigualdade é, sim, "a" pauta (1).

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Piketty

A – imperdível – entrevista de Thomas Piketty a Jorge Pontual (Milênio, Globo News) – no último dia 9 de junho, é cabal em explicitar o que o conteúdo de seu – imediato best seller – “O capital no século XXI” (livro a ser lançado no Brasil em setembro) demonstra com riqueza de dados e informações: o capitalismo concentrador de renda e de patrimônio é um sistema legal, consentido e, até, protegido por um status quo regulamentar universal – o qual, se não modificado, significa e aponta para uma espiral de empobrecimento massivo e desigualdade impossível de ser contida, levando porções gigantescas de seres humanos a chafurdarem na miséria enquanto 1% da população lhes suga a produção, o trabalho, recursos naturais e, até, a própria vida. 45 milhões de pessoas mais ricas do planeta possuem 50% do bens financeiros planetários.

Um preâmbulo desta crise está “em cartaz” no próprio país de Piketty, a França, onde a xenofobia elegeu a extrema direita e há cada vez mais ojeriza a imigrantes pobres. A Inglaterra, sede da City que comanda o capital mundial – muito mais que Wall Street – também está diante da maior campanha pluripartidária de que se tem notícia contra a livre movimentação de pessoas estabelecida pela União Europeia.

Piketty preparou, com colaboradores mundo afora, um alentado estudo-inventário – presente, na íntegra, numa base de dados na internet – e sua intenção declarada é provocar o debate sobre a desigualdade – em cada país – e no globo.

O economista frisa a importância da transparência nas informações financeiras (caso em que o Brasil NÃO se encontra, segundo o autor) e a relevância das instituições – as quais inevitavelmente, segundo ele, se enfraquecem diante de oligarquias – da democracia e de políticas administrativas, fiscais, educacionais, trabalhistas e tecnológicas; fundamentais para que se produza uma resposta para o que está aí à nossa frente e que insistimos em não enxergar: o capitalismo financeiro patrimonial mundializado vem concentrando renda e riqueza como nunca antes (em termos de velocidade e tamanho das transferências) e, a menos que eu e você entremos “na onda” como investidores, teremos grandes problemas…

Piketty é muito claro: é preciso conhecer os dados sobre renda e riqueza para que políticas nacionais de impostos progressivos (uma criação do século XX) possam minimizar os efeitos nefastos da concentração do capital na mão de cada vez menos atores físicos e jurídicos (nacionais e globais).

Vamos ser transparentes?