Da Assembleia Geral Ordinária deste O.C.I. - 30/07/2019.

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Pois o mandato do atual presidente da República nem chegou a completar sete meses para suscitar – no próprio seio de sua base eleitoral – o desejo do fim e o começo de um próximo com outro ocupante no Palácio do Planalto.

Nem é preciso citar a acirrada e divisiva disputa de 2018 – que, para o atual ocupante do Planalto parece ainda não ter acabado – para concluir que a maioria da população, hoje, se entristece ou se enfurece, dia sim, outro também.

https://www.youtube.com/watch?v=YDIfUPg3cNM

Este Observatório da Comunicação Institucional tem feito estudos sobre os discursos político-eleitorais desde o pleito de 2014. Foi assim também em 2016 e 2018. Constatamos que o discurso institucional dos partidos políticos tinha, e ainda tem, um vazio substancial que não encontra eco na atuação parlamentar nem corresponde às suas práticas de governo. A indiferença resvala para o personalismo.

Sobretudo entre latinos, não existe uma ‘fala da presidência’, mas ‘do presidente’. Não se pratica uma ‘voz da prefeitura’, mas ‘do prefeito’.

Torna-se, então, ainda mais urgente educar para a comunicação institucional. E não só o público, mas os ocupantes de postos de comando – nas empresas, no Terceiro Setor, e nos entes públicos.

Quem detém um cargo executivo responde institucionalmente pelo título que ostenta; diretor, vereador, secretário, superintendente, deputado, prefeito, ministro, governador, senador, presidente. Não pode dizer o que lhe der na telha. Isto fundamentou a Lei 5.377 de 1967 – que regulamentou a profissão de relações-públicas há já mais de meio século -, com a adoção do conceito – e da responsabilidade técnica – sobre a ‘informação de caráter institucional’.

Não se trata de censura pura e simples, nem de censura prévia. Por que? Porque não se trata de alguém impor a outrem a sua vontade. O que deve ocorrer, basicamente, é um chamamento à consciência interna corporis, sublinhando o peso de ‘fala do trono’ que se atribui ao ocupante de um cargo relevante – sobretudo público.

Anteontem, o presidente da República extrapolou. Juntou numa fala muitos prejuízos à institucionalidade. Fulanizou seus ódios, acendeu o fogo de paixões e ressuscitou fantasmas de um passado que permanece insepulto.

Em seu breve período como governante, o atual presidente dispõe da imprensa e das redes sociais para declarações que envergonhariam os convidados de um churrasco. O que temos percebido, com perplexidade, é o tratamento indecoroso dos temas nacionais e internacionais por aquele que deveria preservar e construir nossa identidade como nação. Mas, ao contrário, usa os holofotes para disparates contra tudo e todos que não são ele mesmo, se apropriando da mídia para desqualificar quem não está ipsis litteris em acordo com suas propostas, ideias e ideologia.

Deixamos aqui consignada nossa indignação, como profissionais da Comunicação, como defensores da institucionalidade, e como cidadãos que prezam pelo bom senso, pelo bem comum e pela responsabilidade investida no cargo. Independentemente de posições políticas, clamamos por um presidente que reconheça, entenda e respeite a posição que ocupa. Porque até agora, vimos um presidente que se comporta em público de forma inaceitável.

Esta Declaração de Perplexidade foi decidida – por decisão unânime – na seção Assuntos Gerais, durante a 10a. Assembleia Geral Ordinária da Sociedade Educativa Observatório da Comunicação Institucional, realizada em 30 de julho de 2019, no Rio de Janeiro.

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