Você foi desafiado a virar um comunicador... os perfis que surgiram com a pandemia podem mudar a empregabilidade? Por Patricia Vieira.

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Desafio. Essa palavra está na minha cabeça nos últimos dias… persistência, e lá fui eu ver no dicionário: instigar alguém a realizar algo, ultrapassar obstáculos. Observando tais definições, me vejo aqui, sendo desafiada diariamente. Estamos sendo desafiados; a vida é um grande ultrapassar obstáculos.

Neste retiro obrigatório que é a quarentena, me observo e aos demais com que tenho contato, e não são poucos; o desafio da comunicação é diário, ultrapassar o obstáculo da palavra, do que se quer passar em uma conferência na web com a empresa, aulas on-line, lives com os amigos, entrevistas e reuniões com clientes e, quase esqueci, informações via podcasts, textos e vídeos. Engraçado, viramos comunicadores em todas as formas on-line ou off-line possíveis.

Todo esse mundo virtual me fez ser mais critica com a comunicação que recebo e o aumento do número de pessoas que utilizam as redes sociais para promover conteúdo, fazendo com que meus conhecidos, colegas e amigos, e até parentes, virem ‘estrelas’ no YouTube – ou outra mídia -, mostrando os mais diversos perfis. São tantos talentos que solicitam nossa participação em lives, leituras, festas… eu até já dei entrevistas e palestras.

E que perfis são esses? Vão de professores que pela obrigatoriedade do home office decidiram postar aulas e criar seus canais para facilitar a vida dos alunos a mães que dão dicas de como cuidar de seus filhos; donas de casa que indicam fórmulas para a limpeza e higienização do lar a jovens que decidem pegar seu violão ou outro instrumento e postar seu talento ou ensinar a quem ainda não aprendeu; contadores e outros profissionais de finanças mostrando como se organizar para suportar a crise a donos de bar fazendo lives com intuito de inovação para manter o negócio; professores de educação física com canais próprios ou de academias ajudando a manter a forma em casa aos mais diversos tipos de corajosos que se arriscam numa exposição do bem.

A coragem de expor seus conhecimentos é um desafio e tanto. Muitos viram na pandemia uma possibilidade de tirar da gaveta os planos de criar conteúdo que faça diferença e, com isso, iniciaram a tarefa engajados, cumprindo horários e dias para fidelizar seus ‘fãs’. Muitos antes da empreitada pesquisam concorrentes, normas e políticas de postagens, assistem a canais de especialistas em marketing ou de fenômenos de audiência. Não é só ir e postar; há uma pesquisa, uma busca anterior de conhecimento para acertar nesse desafio.

Tudo isso me leva a reflexões; estamos entrando num novo contexto de perfis para empregabilidade? O pós-pandemia nos trará indivíduos diferenciados para um processo seletivo? Dentre as cobranças feitas pelos RH de uma empresa o perfil de ‘comunicador’ terá um peso grande? Aquele jovem sem experiência no mercado pode utilizar essa experiência em streaming como referência?

Vejo muito nos processos seletivos a cobrança por proatividade, resiliência, dinamismo, motivação e comunicação. Estes novos perfis tiveram essas e muitas outras qualificações ao desenvolver conteúdo.

E os profissionais de quadros de empresas? Eles também estão alimentando nossas redes, seja criando lives no YouTube, feiras virtuais, encontros com convidados da área no Instagram, promovendo congressos, escrevendo para as ‘mídias’, postando notícias referentes a suas áreas no LinkedIn ou podcasts de diversos temas, mostrando flexibilidade frente os acontecimentos.

São tantos os perfis e ainda mais diversas as possibilidades que a pergunta agora é saber: o que você fez na pandemia? Será que na próxima mudança de cargo ou no próximo processo seletivo você terá algo a acrescentar?

Desafio, meus caros, foi o que nos tornou ‘comunicadores em tempos de pandemia, o que deve mudar o cenário de alguns perfis de profissionais cultuados pelas empresas nos próximos meses.

Patricia Vieira é contadora, professora, escritora, conteudista, designer instrucional, mãe, mulher, voluntária. Pós-graduada em Gestão Empresarial, Logística e Ensino à Distância, e Licenciada em História.