TENDÊNCIAS ETC. - Menos (curtidas) é mais! Por Carolina Sales Marouvo.

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Vivemos sob uma pressão para estarmos sempre disponíveis e conectados. Se antes os e-mails eram considerados uma forma rápida e eficaz de comunicação, hoje estão ultrapassados e lentos. As ferramentas de mensagens rápidas, especialmente o WhatsApp, praticamente obrigam-nos a responder instantaneamente a tudo o que chega aos nossos telefones – seja a pergunta de um familiar, o convite de um amigo ou mesmo uma cobrança do chefe.

No mundo corporativo, vários sectores estão tendo que se adaptar às pressas a este novo cenário e o atendimento por WhatsApp (ou Facebook Messenger) é cada vez mais comum. E ai de quem demorar para responder ao cliente (ansioso)!

Esta tensão nos causa também a reacção contrária, ou seja, a necessidade de diminuirmos o ritmo e nos desconectarmos do mundo digital. Quem não conhece uma pessoa que já deixou as redes sociais, mesmo que por um tempo determinado? O ‘detox’ digital tornou-se comum e os mais vanguardistas buscam agora experiências em que as curtidas não sejam permitidas (ou, pelo menos, que não sejam mais tão incentivadas).

Todo este sentimento está retratado na micro-tendência ‘Secret and Disconnected’, exposta pelo site de análise de tendências TrendsObserver, que afirma que atualmente existe um sentimento geral de que estamos ‘demasiados ligados e a partilhar um largo número de dados pessoais’.

Sensíveis a este início de saturação das redes sociais, algumas marcas e iniciativas estão optando por lutar contra o que um dia ajudou muitos projetos a crescerem.

No início deste ano, a marca britânica de cosméticos Lush decidiu encerrar os seus perfis no Facebook, no Instagram e no Twitter para ‘priorizar’ o contato direto com os clientes. No comunicado feito para os seus quase 1 milhão de seguidores na época, a empresa disse que iria priorizar o atendimento via e-mail, telefone e nos pontos-de-venda. ‘As redes sociais, cada vez mais, dificultam que falemos entre nós diretamente. Estamos cansados de lutar contra algoritmos, e não queremos pagar (às redes sociais) para aparecer no feed de notícias de vocês’, escreveram.

Outra iniciativa que recebeu destaque internacional foi a de Joe Nicchi, o dono de um foodtruck de Los Angeles, nos Estados Unidos, que pendurou em seu estabelecimento uma placa dizendo que, por lá, os influenciadores digitais pagavam em dobro. Ele explicou a atitude dizendo estar cansado de receber pedidos de comida de graça em troca de divulgação online do seu negócio.

Quem também está nadando contra a maré é Madonna: está proibido o uso de qualquer aparelho electrónico durante os shows da nova turnê da cantora, “Madame X”. No anúncio feito pela empresa responsável pela venda dos ingressos dizia que ‘qualquer pessoa que seja vista com um smartphone durante o espectáculo será expulsa do local’.

Será que tanta ansiedade por curtidas está chegando ao fim?

O licor de café mais vendido do mundo, Kahlúa, já está até enaltecendo quem não tem curtidas. A marca promoveu em Nova York a exposição temporária ‘Zero Likes Given’, com imagens encontradas nas redes socais que não receberam um ‘like’ sequer…

‘As redes sociais tornaram-se algo muito sério, até o café e os coquetéis actualmente precisam ser fotogénicos’, afirmou Troy Gorczyca, director da Kahlúa, no site do projeto. ‘A exposição foi a nossa maneira de lembrar às pessoas de que devemos nos concentrar mais nas experiências que vivemos na vida real, em aproveitar o momento, e não só o que é visto através de uma câmera’, explicou.

Carolina Sales Marouvo (carolinamarouvo@hotmail.com) é jornalista com especializações em análise de tendências e comunicação empresarial. Divide o coração entre o Rio de Janeiro, sua cidade natal, e Lisboa, onde vive atualmente.

24 respostas para “TENDÊNCIAS ETC. – Menos (curtidas) é mais! Por Carolina Sales Marouvo.”

  1. Tiago disse:

    Excelente artigo!

  2. Maria Santana disse:

    Excelente texto!

    Vivermos mais os momentos presenciais e menos os momentos digitais.

  3. Cristina FLores disse:

    Ótimo artigo.
    Mais momentos com a família,amigos,animais e menos momentos ligados em uma câmara.

  4. Claudio Marouvo disse:

    Parabéns pelo artigo.
    Mostra uma contra revolução na exposição demasiada de pessoas e marcas.

  5. Lucia Helena Deorce da Silva disse:

    Parabéns pela abordagem de um assunto sério como este.
    Realmente,seria bom se diminuíssem as curtidas,mas é a tecnologia avançando cada dia mais.. e o povo conectado.
    Excelente reflexão sobre um tema tão atual!

    Abraços

  6. Thereza do Carmo Pereira Alves disse:

    A tecnologia é um circulo que se observarmos gira e não sai do lugar. Muito bem colocado e explícito o seu artigo…. Sucesso, Parabéns!

  7. Felipe disse:

    Acho extremamente importante um “detox” mesmo que temporário, das coisas eletrônicas. Vamos viver a vida real! Parabéns pelo artigo, que trás algumas questões muito atuais e que precisam ser trabalhadas na sociedade.

  8. Odila Favalessa disse:

    Excelente abordagem. De certa forma, estamos nos tornando robôs humanos.

  9. Maria Auxiliadora Braga Ramos disse:

    Eu particularmente me indentifiquei muito com esse artigo, gostaria muito de poder pensar que isso não é um sonho meu,penso que muito é pouco.

  10. Vera Maria Haddad Souza disse:

    Sem dúvidas de que as pessoas estão cansadas de tanta pressão e, devagar, deixando as curtidas de lado. Texto preciso e bem pertinente nos dias atuais. Acredito que o “estado depressivo” tão comum hoje em dia, se deva a isto. Espero que num futuro bem próximo o convívio entre as pessoas seja cada vez mais rotineiro, sem pressão. Os seres humanos precisam de calor humano. Faz bem pra alma.

  11. FIDELIS NEPOMUCENO disse:

    Chegamos a época em o homem aboliu a escravidão do homem pelo homem e deixou se escravizar pela máquina. As famílias não mais existem diálogos. … As conversas são via watsapp. As energias ou fluidos magnéticos do amor fraterno desabarem gradativo mente. .. Para onde caminha nossa civilização? ???

  12. Estamos numa era em que o homem aboliu a escravidão do homem pelo homem mas deixou se escravizar pela máquina. Nas famílias não existe diálogos. Tudo se passa através do silêncio pelo watsapp. O fluido universal do amor fraterno está se perdendo gradativo mente. Para onde caminha está civilização???

  13. Mariângela Zacche de Aguiar disse:

    Meus parabéns excelente artigo. Enfim , estamos tão ligados nas redes sociais, que a comunicação presencial das famílias está ficando cada vez mais complicado. Por exemplo, no encontro de famílias, as pessoas passam mais tempo com seu aparelho celular, do que em diálogo, afagos, abracos e comunicação propriamente dito. É preciso reaver conceitos, e abraçar mais, voltar ao primeiro carinho.
    Mariângela Zacche Brinco/ psicanalísta

  14. Mariângela Zacche de Aguiar disse:

    Meus parabéns excelente artigo. Enfim , estamos tão ligados nas redes sociais, que a comunicação presencial das famílias está ficando cada vez mais complicado. Por exemplo, no encontro de famílias, as pessoas passam mais tempo com seu aparelho celular, do que em diálogo, afagos, abracos e comunicação propriamente dito. É preciso reaver conceitos, e abraçar mais, voltar ao primeiro carinho.
    Mariângela /Psicanalísta/ Sexóloga

  15. Consuelo disse:

    Parabéns pelo artigo! Estou cansada disso, as famílias estão se dissolvendo,um absurdo!Gratidão por tão necessário assunto e de máxima importância, parabéns mais uma vez!

  16. Carlos Rogerio disse:

    Excelente artigo!

  17. Carlos Villas Boas disse:

    Parabéns pelo excelente artigo! Estamos cada vez mais nos afastando dos amigos, dos encontros, abraços, o olhar, o sorriso, da boa conversar, para ficarmos conectados ao mundo digital e esquecendo o primordial no mundo que é a família, amigos e o bom relacionamento e a convivência com as pessoas ao seu redor. Mais socialização com às pessoas e menos era digital! Parabéns mais uma vez pelo excelente artigo!

  18. Angela Bellotti disse:

    Parabéns pela sensata colocação! O mundo em que “curtidas” são necessárias para se sentir “visto” e “querido” é um mundo imaginário, frio e sem luz! Vamos lutar por mais contato físico, mais olho no olho e menos flashes!!!

  19. Adelaide disse:

    Adorei Carolina! Assino embaixo. Excelente seu texto e suas convicções.

  20. Márcia Regina disse:

    parabéns pelo artigo.

  21. Marcelo Sales disse:

    Muito bom texto, e a tecnologia vai cada vez mais crescer no mundo das pessoas.
    Já já alguém vai criar um outro aplicativo de conversa, que vai bombar mais que facebook e Whatsapp.

  22. Enildes Coutinho disse:

    Parabéns pelo texto. É ótimo termos pessoas, assim como você, que têm esta ampla visão do atual “mundo tecnológico”. Às vezes, deixamos de compartilhar nossos sentimentos, momentos felizes com amigos e familiares, para compartilhar notícias e curtidas, que por muitas vezes fake news, em redes sociais superficiais. Abraços!

  23. Mônica disse:

    A avalanche de tecnologia e informações satura a mente e consequentemente o interesse, estamos mais informados e menos formados, lemos mas não computamos. Precisamos de um freio, diminuir a marcha e renovar. Tecnologia demais atrapalha.
    Sua matéria é muito boa e traz a tona a vaidade excessiva do ser humano em ser o que não é.

  24. Elizabeth Machado disse:

    Olá Carolina! Seu texto além de oportuno está excelente, muito bem escrito. Você foi feliz nesse tema. Me fez olhar para trás com saudosismo dos encontros com a galera para sabermos das novidades, olho no olho e sem faltar abraços e beijinhos. Parabéns!
    Aproveito a oportunidade para dizer que excesso de divulgação de si e de tudo ao redor, faz o personagem esquecer que ele é uma pessoas. Cada vez há mais isolamento entre as pessoas e o número de click, acessos se multiplicam. Tempo para o outro? Só se for virtualmente, que nem precisa sair do lugar.

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