Será coincidência? Da crise na Boeing à evolução do caso Marielle. Por Jéssica Freitas.

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Em menos de cinco meses, dois aviões do modelo 737-800 MAX da Boeing, que estreou nos ares em 2016, caíram minutos depois de decolar. O primeiro acidente aconteceu em outubro do ano passado, quando uma aeronave operada pela Lion Air caiu na Indonésia, matando 189 pessoas. Agora, no último domingo, um novo acidente envolvendo o mesmo modelo da Boeing deixou 157 mortos na Etiópia.

Apesar disso, como tais acidentes aéreos foram recentes, ainda é cedo para tirar conclusões sobre possíveis falhas técnicas do fabricante e afirmar que o modelo específico da Boeing tenha alguma relação com as quedas das aeronaves. No entanto, as autoridades de alguns países já preveniram-se e decidiram proibir que novos voos com tais aeronaves decolassem de seus territórios. No Brasil, a única companhia que tem aviões de tal modelo também já aderiu à medida e, num ato de zelo, seguiu a proibição.

Com as investigações em curso, pode-se levantar a hipótese de que existam falhas humanas em ambos os acidentes ou que eles possam ter sido causados por motivos diferentes. Nesta terça-feira (12), Gérard Arnoux, ex-piloto da Air France e consultor em aviação, declarou à imprensa que a proximidade dos dois acidentes pode ter sido ‘mera coincidência’.

Coincidência ou não, toda a União Europeia, China, Austrália, Malásia, Cingapura, Omã, Coreia do Sul, Mongólia e Indonésia já anunciaram o cancelamento temporário dos voos deste modelo em seu espaço aéreo. Afinal, tais nações não acharam que valia a pena esperar que as investigações terminassem para ver se os tais acidentes seguidos eram mesmo só uma triste coincidência para a Boeing ou se havia algum problema real no modelo da fabricante. Elas agiram antes disso.

Baseando-se em tal episódio, levantamos então a questão: será prudente ignorar e relevar tudo o que parece ‘mera coincidência’? Ou se faz necessário tomar medidas de precaução, intensificar as investigações a respeito de aparentes similaridades e, só então, chegar a conclusões comprovadas?

Vocês sabem sobre o que mais estou tratando. Afinal, posso dizer que ‘coincidiu nesta terça-feira’, aqui no Brasil, de outra pauta trazer às ruas essa noção hipotética das tais coincidências.

Dessa vez, elas pairam sobre uma suposta ligação entre dois suspeitos presos ontem em decorrência do caso Marielle Franco e o presidente Jair Bolsonaro (PSL). Um dos homens detidos tinha foto publicada ao lado do presidente, o outro foi preso em sua casa, na Barra da Tijuca, no mesmo condomínio em que Bolsonaro tem um imóvel. A terceira coincidência atende pelo nome do jornalista Chico Otávio e envolve as críticas do mandatário à imprensa.

Enfim, é verdade que similaridades suspeitas podem acabar alimentando perigosas teorias da conspiração. Entretanto, queiramos ou não, coincidências que envolvem um chefe de Estado implicam em intensa apuração. Infelizmente, dessa vez, não há caixa-preta que vá desvendar o caso com agilidade. Tudo pode ser só uma sequência de coincidências, mas vamos demorar a descobrir.

Descartada a celeridade, os interessados aguardam por conclusões.

Jéssica Freitas é jornalista e comunicadora digital, apaixonada por Educação e pelo marketing de conteúdo. Estudou Jornalismo na USJT e Letras na FFLCH-USP. Trabalha com jornalismo online e com mídias sociais há sete anos, acumulando experiências nas redações dos portais iG, Terra e Yahoo, dos jornais Diário de São Paulo e O Estado de S. Paulo, e do Canal Rural.

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