Reconhecimento como poder de engajamento. Por Vitoria Peluso.

Share Button

Engajamento. Talvez uma das palavras mais usadas dos últimos tempos. Mas qual o seu significado? Pode ser entendida como a participação ativa em uma causa ou atividade, por exemplo. É sinônimo de comprometimento, compromisso, empenho e envolvimento. Nesse sentido, inclusive podemos dizer que o termo é o novo ‘vestir a camisa’.

Levando para o universo corporativo, diante de seus significados, o engajamento é a ação mais esperada pelos líderes e também um dos maiores desafios das organizações. Em minha última coluna intitulada ‘Um olhar para dentro‘, mencionei diversos pontos a serem considerados pelas empresas para conquistar a satisfação dos colaboradores. No entanto, considero aquela apenas a primeira etapa. A satisfação ainda não é necessariamente certeza de funcionários verdadeiramente engajados. Explico o porquê.

Clima organizacional, benefícios corporativos, competitividade do salário e outras qualidades são muito valorizadas em relação à retenção dos colaboradores. Contudo, considero que o engajamento está um nível acima. Está relacionado muito mais com a emoção, valorização e o sentimento de pertencimento. Então a questão é: como engajar o público interno?

Para o filósofo Mário Sérgio Cortella, em entrevista à Época Negócios sobre o seu livro ‘Por que fazemos o que fazemos’, o reconhecimento é a melhor forma de estímulo que alguém pode ter e a sua falta é a grande causa de desmotivação nas empresas. No entanto, normalmente o reconhecimento é confundido com recompensa. O artigo ‘Recompensa e reconhecimento não são sinônimos. Entenda as principais diferenças’, do portal ‘Tudo sobre Incentivos’, explica que as recompensas são materiais ou econômicas e de natureza temporária. Ou seja, são transferíveis e tangíveis. Já o reconhecimento é emocional, não podendo ser transferido ou tocado, e algo que pode durar para sempre.

Outra diferença é que as recompensas são consequências de algo determinado com base em desempenho e retorno, são orientadas por resultados. Exemplos de recompensas são prêmios, presentes e valores em dinheiro. Já o reconhecimento independe de resultados e é focado em comportamentos. Digamos que o reconhecimento não custa praticamente nada, mas pode ter efeitos valiosos para ambas as partes.

Segundo Cortella, empresas inteligentes promovem momentos de reconhecimento e demonstram que se interessam pelas pessoas. ‘A empresa precisa entender que necessita criar movimentos de estímulo, promover formação continuada, reconhecimento, tudo aquilo que faz com que a pessoa ganhe energia e receba combustível’, acredita o filósofo.

Uma forma simples e assertiva de promover o reconhecimento dentro das organizações é por meio de feedback, uma ferramenta que permite orientar os colaboradores, reforçando os pontos positivos e ainda observando pontos de melhoramento, alinhá-los às expectativas organizacionais e, com isso, conquistar um maior engajamento.

Claro que um simples ‘obrigado’ ou ‘bom trabalho’ já uma forma de reconhecer alguém. Mas as empresas também podem e devem promover os tais momentos de reconhecimento. Existem várias formas de fazer isso como agradecendo pelo tempo de casa do funcionário, comemorando o aniversário de empresa, realizando ações simbólicas que promovem o sentimento de pertencimento e valorizam aqueles que se dedicam.

Vitoria Peluso é jornalista e especialista em assessoria e gestão de comunicação. Atua há três anos com comunicação empresarial, comunicação interna e tem experiência como repórter e produtora de conteúdo.