Propósito é o que te move? Por Vitoria Peluso.

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Há mais ou menos um ano, durante o curso Comunicação Interna em Tempos Digitais, o professor Flávio Benetti questionou à turma sobre o que fariam colaboradores engajarem-se com a organização para qual trabalham. Logo surgiram respostas como mantê-los informados e abrir meios de comunicação entre empresa e funcionário. Então, como em um estalo, eu disse: propósito. Quem disse isso? E eu ergui a mão.

No sentido mais amplo, propósito é aquilo que se pretende alcançar ou realizar. É sinônimo de desígnio, finalidade, intenção e objetivo. Como jornalista em busca dos meus propósitos de carreira, este ano mudei de emprego. Com essa experiência, descobri que, além de ter os meus próprios propósitos, é possível encontrar identificação com os propósitos de outras pessoas e até mesmo do meu local de trabalho.

Meses depois da mudança, assisti à palestra ‘Construindo times de alta performance’, com o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Paraná (ABRH-PR), Adeildo Nascimento. Dentro do tema, o palestrante explicou aquilo que eu já havia sentido: o propósito está dentro de nós. Ou seja, faz parte do nosso mindset. Basicamente, segundo ele, existem pessoas com dois modelos mentais: o pensamento de performance e o pensamento de preguiça. O primeiro tem pensamentos como trabalhar para dar um futuro melhor à família e contribuir com a sociedade. Já o segundo tem o desejo de ficar rico para não precisar mais trabalhar, por exemplo.

Trazendo para as organizações, esses pensamentos manifestam-se de acordo com duas diferentes visões de trabalho: labour e work. De acordo com Nascimento, labour é a visão sem propósito do funcionário que executa tarefas, limitando às suas funções e trabalhando com o objetivo de pagar as contas. ‘Não é minha função’ e ‘não sou pago para isso’ são frases comuns de pessoas com essa visão. Por outro lado, work é a visão do colaborador que enxerga propósito naquilo que faz e entende a finalidade do seu trabalho.

No artigo ‘Propósito – como e porque – que impactam sua empresa, carreira e vida’, da Harvard Business Review, os autores referenciam o livro ‘The purpose effect: building meaningin yourself, your role and your organization’ apontando que existem três formas de ver o trabalho. A primeira por retorno financeiro, a segunda focada no desenvolvimento da carreira e a terceira orientada pelo propósito de sentir motivação, realização e o prazer de contribuir com a empresa.

Levando em consideração a terceira visão do trabalho, entende-se que quando pessoas com propósito se encontram com organizações de propósito uma união tende a acontecer. Assim, o propósito torna-se o elo mais forte entre a instituição e as pessoas. A identificação com o propósito organizacional é a motivação para engajar-se com a missão e até mesmo com as causas defendidas pela empresa.

Para além dos muros e do mote do público interno, o propósito é capaz de atingir os demais stakeholders. Afinal, se as pessoas têm propósitos, por que as empresas não podem ter? Não só podem como devem. A questão é: como defini-los para então comunica-los?

Vitoria Peluso é jornalista e especialista em assessoria e gestão de comunicação. Atua como social media e produtora de conteúdo no terceiro setor. Tem experiência com comunicação empresarial, comunicação interna e como repórter.

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