- Profissão? - Professor! Como o Canvas pode ajudar o professor?

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Canvas é palavra inglesa que deriva do latim cannapaceum, ou seja, feito de cânhamo. Para o português e o espanhol pode ser traduzida por lona; para o francês e o italiano, tela.

No mundo dos negócios, quando se fala em Canvas, imediatamente nos é apresentada a ferramenta na forma de um quadro a ser preenchido em resposta às perguntas: O quê? Quando? Como? Onde? Com quem? Para quem?

Alexander Osterwalder, teórico empresarial nascido na Suíça em 1974, desenvolveu a ferramenta Business Model Canvas, ou Modelo de Negócios Canvas, no final dos anos 2000, com o objetivo de planejar os passos a serem dados para a implementação de um negócio.

A aplicação do modelo no mundo dos negócios surpreendeu-me muito positivamente, pois havia tomado contato com ele em outro tipo de projetos. Tendo as respostas às questões organizadas em quadro, embora de outro formato, as perguntas eram as mesmas que, em meados dos anos 1980, um grupo que conheci utilizava para formatar seu Projeto de Vida Pessoal ou Profissional, e mesmo para o planejamento de atividades a serem desenvolvidas com outros grupos.

Buscando mais informações sobre o tema, verifiquei que o modelo ainda hoje é utilizado para estas últimas situações.

Ocorre-me: ao buscar a resposta para essas perguntas, quer as utilizemos para planejar no mundo dos negócios quer na nossa vida profissional ou pessoal, a clareza que advém do esforço para respondê-las pode ser um grande passo.

Grande passo na direção de uma visão ampla, clara e bem organizada de onde estamos e quem queremos ser – exposta no formato de um quadro -, de onde queremos chegar e do caminho a percorrer para alcançar nossos sonhos, nossos objetivos, nossas metas.

Tal planejamento será um guia, uma referência para orientar a realidade. Elaborar um Canvas pessoal exigirá, daqueles que se dispuserem a percorrer esse caminho, muita disposição e reflexão. Mas afirmo, por experiência, que valerá a pena.

O exercício desse Canvas pessoal, pela imersão em si mesmo, pelo conhecimento das próprias expectativas – não, nem todas as pessoas têm clareza disso! – e do que será necessário para ‘chegar lá’, nos levará a conhecer nossas próprias forças e fraquezas, bem como as oportunidades e ameaças que se apresentam. Cabe aqui, uma vez mais, a máxima socrática: conhece-te a ti mesmo!

Conhecer-nos, conhecer nosso próprio valor, que não diminui por não ser percebido ou enxergado por outros, trará mais segurança para o nosso agir-docente, nos levará a transmitir imagens mais claras, mais precisas, de quem somos, no aspecto pessoal e profissional. Permitirá que nos construamos a cada dia mais conscientemente.

Tendo clareza de quem somos e de quem queremos ser – a consciência do ser e do devir -, poderemos estabelecer com nossos alunos e com nossos pares, uma comunicação clara.

A primeira avaliação, o primeiro julgamento que todos fazemos uns dos outros, sempre se estabelece a partir da aparência, da imagem que apresentamos, da comunicação que estabelecemos, das reações que estas produzem nos outros. Importa-nos, enquanto educadores, gerar reações positivas em nossos alunos, em nossos educandos.

Vale fechar esta reflexão com um pensamento do grande Paulo Freire: ‘O educador se eterniza em cada ser que educa’.

Profa. Yvone Maria de Campos Teixeira da Silva é mestre em Ciências da Religião pela PUC-SP e pedagoga, tendo atuado do Ensino Básico ao Superior – na direção de instituições, docência e assessoria. Hoje, atua como psicopedagoga clínica, assessora de imagem profissional, tradutora do francês, espanhol e italiano – com mais de cinquenta livros traduzidos.