- Profissão? - Professor! A autoestima do professor (2).

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Ninguém questiona o fato de que, nos últimos tempos, o professor tornou-se o centro de inúmeras notícias. Por quê? Perguntamo-nos. Você já teve a curiosidade de verificar as últimas pesquisas?

Pesquisa recente

A Varkey Foundation, organização dedicada à valorização da Educação, divulgou, há dias, o Índice Global de Status de Professores de 2018. Trata-se de pesquisa realizada com a população de 35 países a respeito da profissão docente. Vale a pena lê-la na íntegra.

‘Lamentável’… é pouquíssimo para expressar o que ocorre em nosso país: o índice nacional põe o Brasil em último lugar na relação dos 35 países avaliados! Simplesmente chocante!

Desprestígio é nosso nome, caros docentes! Profissão que ninguém quer ter, carreira que ninguém quer seguir é a nossa! E por quê?

A ausência de respeito pelo docente, com certeza, é a primeira resposta. Ainda estes dias tivemos diante dos olhos o triste espetáculo de alunos desrespeitando a professora, atirando carteiras escolares e outros objetos, vandalizando a sala de aula, desta vez em Carapicuíba, na Grande São Paulo. Fatos similares não ocorrem apenas lá; este é apenas mais um exemplo!

A ausência de respeito não se limita aos alunos. Vem da sociedade em geral. Como os pais dos alunos, especialmente na educação básica, quando têm maior contato com estes, costumam tratar os docentes? Valorizando-os? Prestigiando-os? E que consequências a forma como os professores são tratados traz para a Educação? Que influência esse modo de tratar tem – ou pode ter –, no desempenho dos alunos?

A baixa remuneração, com certeza, é a outra resposta que nos ocorre. Quantas vezes já paramos para refletir e indagar-nos sobre isso tudo? Finalmente, a triste pergunta: – Hoje, quem gostaria de ser professor? Nossos filhos? Nossos alunos? Por que será?

Como sou visto

Dizíamos, no texto de maio passado, que a maneira ‘como sou visto’ tem de dar credibilidade àquilo que faço. E aqui, conforme comentei, quero retomar o texto de Franco Voli em ‘A autoestima do professor’, traduzido por mim do espanhol, publicado por Edições Loyola, em 1998. Conforme esse autor, são cinco os componentes básicos da autoestima: segurança, autoconceito, integração, finalidade e competência.

Neste texto vamos abordar a segurança; esta, certamente, aumentará em muito a nossa credibilidade. Cabe a pergunta: – Que modelo de adulto transmito em classe? Quais são as minhas características? Preciso conhecê-las – sejam positivas ou negativas –; não as refutar, agir como se não existissem, quer nos alunos como em mim. Reconhecer os pontos fracos não significa insistir neles; não significa, menos ainda, depreciar alguém por causa deles. Ao contrário, implica em reconhecer e insistir nos pontos fortes, reforçando os aspectos positivos de cada um, tanto em relação a nós mesmos como aos nossos alunos e aos nossos pares. Tal atitude se revelará altamente produtiva no que se refere à segurança, quesito básico da autoestima. Precisamos conhecer-nos, conhecer e reconhecer a nossa importância, e a importância do nosso trabalho para a sociedade. Se não o fizermos, quem o fará?

Um legado de coragem e segurança

Em ‘Angela Davis – mulheres, raça e classe’, de Angela Davis, publicado pela Editora Boitempo, em 2016, li o relato bastante impressionante da história de Prudence Crandall. Nascida em 1803, nos Estados Unidos, Prudence assumiu, como tantas mulheres brancas da época, as lutas abolicionistas. Nesse contexto, aceitou uma aluna negra em sua escola para meninas brancas, na cidade de Canterbury, Connecticut, EUA. Ao ser instada a rejeitar a aluna negra, Prudence enfrenta a ira das famílias brancas, que se alastra pela cidade alcançando grande parte da população. Depois de muita luta, após a recusa de lojistas a venderem material para as alunas, de médicos a atendê-las, do envenenamento do poço da escola e do fogo ateado em pontos da casa onde funcionava, temendo pela vida das alunas, Prudence decidiu fechar a escola. Não antes de muita resistência, muita coragem, muito profissionalismo destemido. Aqui e alhures, ontem e hoje, encontraremos muitos exemplos de professores corajosos, integrados em seu contexto, seguros, cheios de autoestima, muitíssimo competentes… dignos de inspirar a nossa ação!

Profa. Yvone Maria de Campos Teixeira da Silva é mestre em Ciências da Religião pela PUC-SP e pedagoga, tendo atuado do Ensino Básico ao Superior – na direção de instituições, docência e assessoria. Hoje, atua como psicopedagoga clínica, assessora de imagem profissional, tradutora do francês, espanhol e italiano – com mais de cinquenta livros traduzidos.

6 respostas para “– Profissão? – Professor! A autoestima do professor (2).”

  1. Elie Chadarevian disse:

    Ótimo convite à reflexão; parece-me que hoje – e já há algum tempo – o exercício da profissão de professor concorre com a dos santos mártires.
    Que ações devemos os professores tomar para reverter esse quadro lamentável?

    • Yvone Maria de Campos Teixeira da Silva disse:

      Prof. Elie, convido-o a contribuir para aprofundar esta reflexão. Para mim, como comentei no texto, a valorização do profissional passa, em primeiro lugar, pela valorização de si mesmo enquanto.
      Obrigada pelo comentário.

  2. Deize Andrade disse:

    Em qualquer profissão, essa sua frase diz tudo: “Precisamos conhecer-nos, conhecer e reconhecer a nossa importância, e a importância do nosso trabalho para a sociedade.” Porque todos têm seu valor. Como podemos contribuir para que os profissionais da Educação sejam mais valorizados?

  3. Zilda Toledo disse:

    Hoje infelizmente está muito difícil estar lecionado ,seja qual for o meio social.
    Os alunos hoje estão sem saber o que fazer.
    Eles grintam com sua rebeldia , com violência,com uso de drogas. Eles muitos deles com muitos sofrimentos .
    Eu não colocaria a culpa no salário não.
    Competencia pra lidar com esses alunos,
    Fico pensando o professor tão importante . Professor e. Capaz pois ele é autoridade no aprendizado .

    • Yvone Maria de Campos Teixeira da Silva disse:

      Você está certa, Zilda. Em questão de aprendizado, a autoridade é o professor. E como tal precisa ser respeitado. O salário é apenas um dos fatores e não é válido para todos os setores do ensino. Obrigada pela ressalva.

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