PAPO DE TERÇA - O papel das marcas diante dos novos hábitos digitais de consumo. Por Nathália Corrêa.

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Com a extensão do isolamento social como medida preventiva contra a pandemia de Covid-19, aumentou também a tendência pelas compras online. De acordo com um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), 61% dos brasileiros que compraram online, aumentaram o volume de compras devido à quarentena. Se antes o ambiente digital era visto como uma opção de conforto, agora passou a ser a única alternativa e até mesmo, em muitos casos, uma necessidade.

Várias empresas reagiram rapidamente, entendendo o comportamento dos consumidores e adaptando seus produtos ou serviços para acompanharem os esses novos hábitos. Alguns setores sofreram mais impacto do que outros, como os eventos, por exemplo. Mas, logo as lives caíram no gosto do público. Muitos restaurantes baixaram as portas e outros aumentaram as vendas por delivery. Se antes já achávamos tecnologia e digital o casamento perfeito, com a vivência dessa pandemia, não restaram dúvidas. E com o adicional da criatividade, as possibilidades e invenções foram ainda maiores.

As pessoas, já há alguns anos, consomem mais pela experiência do que pelo consumo em si. Durante os dias em casa, muitas pessoas tiveram que reinventar a rotina, trocar as visitas a novos cafés por lanches em cômodos diferentes, substituir o sol das praias pelo sol matinal no quintal ou calçada em frente de casa, deixar o afeto presencial entre familiares ou amigos e as reuniões empresariais dar lugar a calls. Tudo isso são novas experiências que o digital possibilitou, aproximando quem ainda não tinha o contato com a tecnologia e, de alguma maneira, deixando esse período de quarentena um pouco menos solitário.

Mas, o que muda agora com a abertura de alguns estabelecimentos?

Não usarei o batido termo ‘novo normal’, mas é certo que a retomada para a rotina ou o lazer habitual gerará uma nova experiência após tantos meses em casa. E a quarentena deixou as pessoas mais exigentes ao optarem pelos estabelecimentos que seguem as recomendações de cuidado e saúde e, talvez, mais criteriosas, preferindo lugares mais abertos, arejados e que proporcionem um sentimento de liberdade.

Quando afirmamos que o mundo pós-pandemia não será mais o mesmo, é porque ele não será mesmo. Seja nas relações interpessoais, de comportamento e de consumo. Se antes a tecnologia era vista como vilã, afastando as pessoas, durante esse último semestre foi um meio de aproximar, diminuir a saudade, capacitar, trabalhar, fazer compras, se divertir, visitar museus, assistir shows e o que mais a sua imaginação ou a necessidade do seu cliente permitiram. A crise está só de passagem, mas a inovação é duradoura.

Imagem: Luke Chesser por Unsplash.

Nathália Corrêa é bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e tem MBA em Marketing Digital. Atua na gerência de marketing e mídias sociais.