PAPO DE TERÇA - Comunicação, marketing pessoal e o mercado de trabalho na nova década. Por Nathália Corrêa.

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No começo da década passada, imaginávamos que em 2020 já teríamos carros que voam, robôs que fazem tudo e até excursão para a Lua, não é mesmo? A velocidade do avanço tecnológico e a maneira como permitimos que as novas invenções fizessem parte das nossas vidas gerou um novo comportamento nas relações humanas interpessoais e na relação com o mercado de trabalho.

Um tema muito debatido nos últimos anos é o futuro de alguns cargos e profissões, por exemplo. Em setembro de 2019, o portal do INBEC listou algumas profissões que até 2030 poderão ser robotizadas. Piloto de avião, anestesista, engenheiro de software e até repórteres e jornalistas estão na lista. Com esses dados e o aumento de muitos empregos informais (um exemplo é o Uber), surge a pergunta: como os profissionais podem se preparar para o futuro?

Outro dia fui a um shopping em Minas e parei no McDonald’s para um lanche rápido. Percebi que a fila para fazer o pedido estava bem grande. Quando me aproximei, não haviam caixas funcionando e no lugar dos operadores, máquinas automatizadas em que você mesmo escolhe o que deseja comer e com alguns cliques faz o seu pedido e seleciona a forma de pagamento. Parece simples e prático? Só parece! Uma fila enorme, pessoas inseguras com a modernização do atendimento, demora para conseguir pedir, nenhum atendente ‘humano’ para ajudar. Para quem queria ‘fast food’, não teve nada de fast!

É certo que somos seres adaptáveis e rapidamente aprendemos a manusear algo novo. Mas até quando o toque na tela pode substituir o ‘tudo bem, senhora?’ e o olho no olho da comunicação humana? Pode ser que esse assunto divida opiniões. Mas, vamos retornar à questão principal. Como sobreviver em um mercado de trabalho que está fadado a robotizar profissões? E esse futuro não se aplica apenas àquelas tarefas repetitivas.

Analisando o momento atual, percebo que cada vez mais as pessoas estão se tornando empreendedoras. O modelo tradicional de trabalho está sendo transformado não só por esse novo comportamento exigido pelo avanço tecnológico. Mas também pela mudança de valores. As pessoas estão se tornando seus próprios chefes, os momentos de lazer estão sendo mais valorizados, o tempo mais precioso e novos serviços estão surgindo devido a novas demandas. É preciso estar atento, é preciso saber se virar sozinho, comunicar bem e ‘vender seu peixe’.

‘Multitarefas’ também é um termo muito aplicado no mundo corporativo, o que – para alguns -, não soa muito bem. Mas já parou para pensar que todos nós desempenhamos muitas tarefas diferentes no nosso dia a dia e no decorrer da vida? Podemos ser, na maior parte do tempo, profissionais desempenhando nossas funções, mas ao sair do trabalho, deixamos aquela postura lá e assumimos outras. Somos pais (de crianças, adolescentes, adultos ou até mesmo de pets), somos filhos cuidando dos nossos pais, somos amigos, somos namoradas ou namorados e somos até mesmo aqueles tios ou madrinhas que paparicam os bebês. Cada uma dessas posições exige uma postura diferentes de nós. E aí pode estar o grande segredo: desenvolver nossas habilidades humanas para diferentes situações, expandir nossas visões e buscar novos conhecimentos. Nós somos o nosso próprio cartão de visitas. Portanto, o expediente não termina quando saímos da empresa, na verdade, ele só começa. Quem trabalha nas áreas da comunicação sabe que, apesar de todas as métricas e metas para atingir, o grande desafio mesmo é monitorar o nosso próprio marketing, o pessoal.

Imagem: Ben Sweet via Unsplash.

Nathália Corrêa é bacharel em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e tem MBA em Marketing Digital. Atua na gerência de marketing e mídias sociais.

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