NOVA COLUNISTA: Aline Molica - Comunicação interna descentralizada é investimento reputacional.

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Convido a uma reflexão que não é nova, mas ainda crua em muitas organizações: comunicação descentralizada. Para alguns, isso pode parecer puro anarquismo. Mesmo entre profissionais de comunicação, a gente escuta com frequência a pergunta: mas como lidar com os “sem noção” ou como controlar?.

Mas o que estamos tratando aqui é de coerência com a Era da Informação (oi Peter Drucker!). Está todo mundo comunicando no Facebook, no LinkedIn, no Twitter, no YouTube, no Instagram e no TikTok. A comunicação interna já cria formatos de conteúdo baseados nessas redes, já recebe curtidas e comentários. Nada mais natural, portanto, que cada funcionário seja o porta-voz de sua própria mensagem, de suas atividades.

Estamos todos mais maduros digitalmente. Aprendemos ao longo do tempo, o que e como compartilhar, aprendemos sobre privacidade, sobre ética, sobre sororidade, conhecemos os haters e já vimos também muitas demissões de pessoas que não respeitaram essas premissas no compartilhamento de informações.

Isso significa que todo mundo sabe o que é pertinente compartilhar em uma rede de colaboração corporativa, como Workplace ou Yammer? Não, não significa. Mas nos lembra que todos aprendemos com o tempo. E um espaço interno, relativamente seguro, suportado por uma série de códigos de ética e conduta, e no qual a própria equipe de comunicação pode orientar o funcionário sobre o que comunicar, é mais do que adequado para que ele evolua nesse sentido e isso é valioso para ele, profissionalmente, e também para a empresa.

Um funcionário que é orientado e ganha essa autonomia para contar sobre um novo projeto que está desenvolvendo, escolher a foto que melhor representa isso, marcar as pessoas que fizeram a diferença naquele projeto, é também desenvolvimento humano e investimento na própria imagem da empresa. Ele será um líder melhor (lembrem-se que líderes que usam a comunicação retém mais os funcionários) e quando for para suas redes sociais pessoais, como o LinkedIn, vai saber como se posicionar melhor e representará com mais assertividade a empresa, e bingo: ativo na reputação. Vejam só que círculo virtuoso!

Na outra mão, a comunicação, ao invés de passar o dia todo apurando, entrevistando, escrevendo, revisando, indo fazer a foto, validando e ajustando textos e mais textos, peças e mais peças, utiliza esse tempo para apoiar lideranças e todos os funcionários com sua expertise de comunicar melhor. A comunicação interna ganha um valoroso tempo para se apropriar da estratégia de comunicação, para reforçar as mensagens-chave, para fazer curadoria de conteúdo e destacar aquilo que faz coro com a cultura organizacional.

Em tempos de isolamento, de uma grande parte da força de trabalho, em casa, é tempo de testar esses modelos que vieram para ficar. Por mais frases de autonomia como “posta no Workplace/Yammer, mas se quiser me mandar antes, dou uma olhada e te faço umas sugestões”, e menos frases de controle como “vamos marcar uma entrevista para você me contar melhor?”.

Sobre mim

Estarei com vocês mensalmente trazendo temas sobre comunicação corporativa. Trabalho na área há 13 anos, atualmente, como consultora. Sou jornalista, graduada pela PUC-Campinas, com especialização em Marketing pela Cásper Líbero e MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Tenho um projeto pessoal no Instagram com dicas de currículo, LinkedIn e carreira, o Seu.Novo.CV: https://www.instagram.com/seu.novo.cv/.

Contato: https://www.linkedin.com/in/alinemolica/

 

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