NOVA COLUNISTA: Rebecca Lyrio - Relações Públicas e Gestão de Crises.

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A prática das Relações Públicas como profissão existe desde o século XX. Seu início se deu nos EUA, como forma de ajudar as grandes corporações de negócio e os departamentos de governo a se relacionarem melhor com seus públicos, a opinião pública e a sociedade.

Antes o interesse era focado apenas no lucro monetário e brutal exploração e estas instituições não se importavam com à credibilidade diante da opinião pública. Com a evolução social, valores indiretos de marca começaram a ser valorizados, e o cenário do mercado começou a mudar. A prática das Relações Públicas, passou por grandes transformações e, o que era uma área de atuação técnica, hoje é conhecida como uma função estratégica indispensável para que as organizações contemporâneas se posicionem institucionalmente e administrem com eficácia seus relacionamentos com os stakeholders.

Com as Relações Públicas, as empresas e organizações começaram a ter um outro olhar sobre os públicos estratégicos, tanto interno quanto externo. Na origem, estavam mais focadas no âmbito empresarial e governamental, mas com o fortalecimento da sociedade civil, a valorização do terceiro setor e ONG’s, o cenário foi se expandindo.

Mas e por que as Relações Públicas são importantes?

O profissional de RP gerencia, administra processos e etapas de desenvolvimento de projetos, estabelece canais de comunicação entre a organização e seus públicos com o objetivo de construir relacionamento de confiança mútua, estabelecendo credibilidade e valorizando a dimensão social da organização com seu público interno.

Num momento de transição econômico e social como os que estamos enfrentando por conta da pandemia ocasionada pelo COVID-19, saber gerir o relacionamento com os públicos estratégicos se tornou vital para que marcas e empresas consigam sobreviver neste novo mundo que se configura.

Entender cenários e contextos é essencial para identificando problemas e oportunidades relacionados com a comunicação e a imagem institucional, avaliando o comportamento dos públicos e da opinião pública e entendendo como isso pode afetar os negócios e a vida da organização.

Investir em planejamento estratégico é fundamental para estabelecer metas e entender o que é preciso para alcancá-las. É através dele que conseguimos selecionar os canais de comunicação que devem estar ativos e, o mais importante, que é o que deve ser dito através deles e por quem.

Infelizmente muitas empresas não estão atentas a estes pontos e, muitas vezes, acabam traçando estratégicas equivocadas de comunicação, inadequadas para os contextos sociais em que se encontram. E hoje a sociedade atual não tolera mais falta de posicionamento ou adequação à posturas com discursos desumanos, irresponsáveis e que venham a ferir a integridade humana.

Quando isso ocorre, através do avanço incontrolável da tecnologia, é fundamental estabelecer medidas emergenciais de gerenciamento de crises. E isso deve ser feito não no momento ápice da mesma, é importante que o plano de crises exista para que, quando a mesma ocorra, seja possível ativá-lo e, desta forma, minimizar os prejuízos de imagem e consequente perda financeira.

É comum vermos a ascensão de influenciadores e seus intermináveis publi posts, muitas vezes feitos sem nenhuma – ou quase nula – orientação e cuidado com a imagem da empresa. Sem gestão, muitas empresas acabam se perdendo em seus discursos, se apropriando de territórios que não são seus e, se não estiverem atentas, este caminho pode ser irreversível.

Alguns pontos que devemos levar em consideração na gestão de uma crise:

1º Passo: Entender o problema com clareza sobre o que exatamente está acontecendo.

2º Passo: levantar todas as informações relevantes disponíveis: entender os fatos, descartar boatos, buscar um responsável pelo problema e entender o que realmente aconteceu a fim de melhor definir o que poderá ser feito.

3º Passo: estabelecer uma comunicação clara e centralizar comunicação nos responsáveis pela empresa, evitando ruídos e se tornando o porta voz sobre o problema a ser abordado. Informações desencontradas podem agravar situação e este controle é fundamental para que as coisas se resolvam com maior agilidade. ,

4º Passo: não se calar. É fundamental agir de maneira assertiva e rápida, pois as redes sociais e a mídia online são velozes e de fácil acesso.

5º Passo: traçar estratégias de mídia, avaliando qual a mídia mais adequada para atuar, conforme a demanda de crise.

6º Passo: ter uma boa assessoria de imprensa para interagir com a imprensa de maneira rápida e profissional

7º Passo: não ignorar as pessoas afetadas, mostrando preocupação com os envolvidos, ouvindo as queixas e esclarecendo as dúvidas, mostrando sobre o que está sendo feito para resolver o problema.

Através de um trabalho estruturado e estratégico, é possível construir uma comunicação relevante e preservar a imagem da empresa, mas para isso é fundamental que os propósitos sejam reais e não apenas um discurso vazio. Num novo mundo após uma pandemia mundial, o consumidor será cada vez mais exigente e quem não estiver atento não irá conseguir se manter.

Rebecca Lyrio é Estrategista Digital, Master of Business Administration em BIG DATA aplicado ao MKT (ESPM) , Relações Públicas, Especialista em MKT e Branding (UNIFACS). Gerente de Digital da Propeg, Sócia da consultoria Hackel, especializada em soluções de educação, inteligência de negócios e tecnologia, Partner Share, empresa com foco em educação, inovação e tecnologia. Atua há 10 anos no mercado publicitário de forma estratégica, é Consultora, Palestrante e Estrategista de Comunicação Digital e Professora Especialista no Núcleo Comunicação e MKT da Pós Graduação Estácio, UNICEUB, UNIJORGE e UNIFACS.

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