NOVA COLUNISTA: Melissa Assumpção - INOVAÇÃO, INTELIGÊNCIA E MERCADO.

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O aumento da oferta faz cair o preço no mercado. Essa é a máxima do fluxo de preços, aplicável a bens e serviços. Em termos mais simples, significa que se muitos produtores oferecerem laranjas, por conta de uma super-safra, por exemplo, o preço da laranja no mercado vai cair. Mas e a qualidade dessas laranjas?

Há uma pergunta sem resposta no universo da comunicação digital hoje. Como produto, vem apresentando um decréscimo acentuado nos preços, impulsionado por uma imensa oferta. São milhões de pessoas de todas as idades e formações – ou não – utilizando seus computadores domésticos para vender cursos on-line, e-books, métodos revolucionários, mentorias, guias ‘definitivos’ de qualquer coisa que seja. E as redes sociais são o principal canal para a oferta desses produtos e serviços.

A função de social media tem se tornado o novo ‘motorista de aplicativo’ do mercado da comunicação digital. De uma hora para outra, todos estão se tornando especialistas em marketing digital e fazendo negócios pela internet. Por um lado, é chance de trabalho e renda para muitos. Por outro, é a comoditização da função. E são tantas as ferramentas e plataformas a serem conhecidas e manejadas, que o conhecimento básico vem sendo deixado de lado: esqueceram-se como escrever corretamente, como interpretar textos, como fazer cálculos simples e, principalmente, como lidar com pessoas.

Mas é importante ressaltar que tais fluxos de mercado são absolutamente normais e incontroláveis. O crescimento da autonomia digital traz consigo a morosidade intelectual. Já vivemos isso desde o surgimento da internet, quando deixamos de frequentar bibliotecas e folhear livros – e nesse movimento nos deparávamos com conhecimentos outros além dos pesquisados – e ter curiosidade sobre temas diversos.

Como consumidores, envolvidos nessa atmosfera tão densa de inovação, precisamos nos reposicionar e assumir a defensiva, escolhendo marcas e empresas que mantenham a qualidade intelectual em seus canais de comunicação. Isso, obviamente, não significa usar uma linha de comunicação extremamente formal, visto que a essência da marca pode ser leve e jovial. Mas esperar um certo requinte na forma como o produto é apresentado, um cuidado na escrita, na escolha da melhor imagem para o produto, na melhor foto – aquela que representa fielmente o espaço que convida o consumidor a comparecer – e, não menos importante, no melhor atendimento on-line possível. Precisamos prezar ainda e sempre pela inovação com qualificação.

Por outro lado, como gestores de marca, sejamos conscientes de que nossa função é falar em nome de um conjunto de missão, visão e valores – que nem sempre serão os nossos – e que nossa responsabilidade maior está em levar ao mercado a proposição estratégica da empresa através da comunicação. Como exemplo, cito as campanhas de aumento na percepção de valor de marca com falhas graves no atendimento ao consumidor nas redes sociais e falta total de engajamento do time interno na campanha. Assim como comunicamos ‘para fora’ e buscamos convencer nosso público-alvo, o mesmo é imprescindível ‘para dentro’, com o time interno.

Como empresários, proprietários de uma marca, temos a responsabilidade de filtrar no mercado os profissionais capazes de levar para o mundo nossas diretrizes. Precisamos entender que uma pseudo-economia de salário/pagamento, resultante da contratação de um colaborador não suficientemente qualificado, pode causar uma queda gigantesca no valor da marca no mercado, evento esse de difícil supressão dada a velocidade da distribuição de informações no meio digital. Não é raro nos depararmos com comunicadores que não sabem como transmitir os valores de sua empresa ou produto e terminam por confundir o mercado-alvo, afastando-o ao invés de o aproximar.

O tempo passa, os meios de comunicação e as funções laborais se transformam. Mas a inteligência e a capacidade de análise e planejamento continuam sendo características raras. E caras.

Melissa Assumpção tem mais de 25 anos de experiência de mercado. É especialista em Inteligência Competitiva e Marketing Digital. Está à frente da Agência Eva – Inteligência Digital, onde desenvolve estratégias de comunicação digital com base em Inteligência de Mercado.

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