NOVA COLUNA: No coração da América do Sul - Aclyse Mattos.

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Não me falem em trem

Trem das onze
Trem das Cores
Trem Azul
Da Alegria ou Central do Brasil
Todo mundo tem seu trem
Só Cuiabá que não tem
Nem vem que não tem
Trem Doido
Trem Doído
Trem que não tem sentido
Tem sem nunca ter tido
Um trem sonhado ou vivido
Café com Pão
Aqui não
Seu Manuel, siô Maquinista
Aqui já tem até pista
Para um sonho populista
Só trem que ainda que não
Café com pão aqui não
Istá mais pra Tchá cô Bolo
Um dia já teve bonde
De burro puxando o povo
Já foi, passou, não tem mais
O trem não vai nem vem mais
Já teve um trem fantasista
Partiu do sonho do artista
Desfilando em plena pista
Juntamente com sambistas
De outra Mangueira afinal
Que não está no meu quintal
Enfim no Novo Milênio
Sai biênio entra quinquênio
Prometeram uma sopinha
Toda cheia de letrinha
Um V um L e um T
Que não passou nem se vê
Trem das onze
Trem das Cores
Trem Azul
Vou dormir nessa estação
Todo mundo tem seu trem
Só Cuiabá que tem não

Imagem: Estação Saint-Lazare – Monet.

Aclyse Mattos é graduado em Administração de Empresas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, com especialização em Propaganda e Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing – RJ, mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo e doutorado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais. É escritor, poeta e professor da Faculdade de Comunicação e Artes da UFMT.