NOVA COLUNA: A ERA DA COMUNICAÇÃO IMEDIÁTICA. Por Juliana Müller.

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P’ra que serve um diploma?

Com a recente medida provisória que cria o programa Verde Amarelo, o governo coloca fim a uma batalha de muitas profissões, entre elas a dos nossos irmãos jornalistas e publicitários. Muitos foram os anos, as décadas de luta pelo reconhecimento profissional e, num piscar de olhos, nada disso faz mais sentido.

Na verdade, isso vai muito além da derrubada da necessidade do diploma ou registro, é uma questão de educação. Num país onde o ensino básico é precário, as escolas públicas afetadas pelo repasse irregular do governo, professores mal remunerados e as condições de sala de aula deprimentes é de se esperar (infelizmente) que seja inexistente o incentivo para a formação superior.

Deixando um pouco a crítica de lado (se é isto possível), vamos nos ater à questão da não obrigatoriedade do diploma para jornalistas e publicitários: colegas, sinto muito. Muitas empresas acreditam que basta entender um pouco de ‘mídias e redes sociais’ para ser bom de verdade. Há os que consideram os entendedores de paint exímios profissionais da área de criação e os bons de língua portuguesa os mais adequados para um texto jornalístico.

É muito mais do que isso. Trata-se de preparo, estudo, conhecimento, treino de habilidades e, claro, muito talento. Não é qualquer um que pode ser profissional da área de Comunicação. Isso requer uma disciplina de busca constante pela informação, atualização das ferramentas, saber falar e ilustrar a linguagem do público-alvo. Aliás, onde os jornalistas sem diploma aprendem isso? Sabem a necessidade do planejamento estratégico? Entendem o impacto global das mídias para a sociedade?

Quantas vezes vemos portais e sites considerados fontes confiáveis publicando textos tendenciosos e manchetes apelativas? E aquela logomarca que nem o CEO consegue entender do que se trata, mas acha ‘bonitinha’? Não passamos tanto tempo na faculdade para fazer um trabalho ‘bonitinho’. Somos profissionais da área, sabemos todas as etapas de um bom processo de comunicação entre organizações, veículos, entidades, governo.

Não estamos tratando aqui daqueles bons comunicadores, digamos, natos. Pessoas que se expressam bem, argumentativos, criativos… tudo isso é importante e o mercado precisa deles também. Mas há quem se especialize nisso, que estude para ser gestor, que não só frequente aulas e eventos da área, mas que se relacione com outros profissionais que agregam conhecimento. De que adianta o aprimoramento se não há valorização profissional? Não é só o diploma. É a dedicação, o desenvolvimento, o reconhecimento.

Se pudesse sugerir algo, seria esquecer esse veto. Como não é possível, posso dizer que com a força que os profissionais de comunicação têm juntos, NÃO VAMOS NOS CALAR!

Que nos apropriemos de nossa expertise, da nossa graduação (conquistada a duras custas num Brasil que tem esquecido o ensino superior), e mostremos o real motivo de ter um diploma ou registro na mão: direito de exercer a profissão que escolhemos e estamos capacitados para tal. Que não esqueçamos do clichê de que não confiamos num médico sem CRM. Por que confiar em uma organização que entrega a sua comunicação para profissionais não habilitados?

Crédito das imagens: João Mattos.

Juliana Müller é relações-públicas, presidente da Associação Brasileira de Relações Públicas, coordenadora de Comunicação e Eventos da Câmara Brasil-Alemanha no Rio Grande do Sul, e uma defensora dos eventos corporativos como ferramenta de comunicação estratégica.

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