Não acabou, é só a vida testando. Por Neusa Medeiros.

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Parece ironia, mas a gente é testada o tempo todo. Mesmo quando achamos que acabou a maratona, a gincana de surpresas pesadas, ainda assim, a vida sempre pode te jogar para novos desafios. Como não existe um relógio que pule horas difíceis, vamos administrando do jeito que é possível, com as ferramentas que temos.

Às vezes nem desejamos mudar nada, embora recomeços exijam novas posturas. Então ouvimos: vem, é hora de conhecer diferentes caminhos, novas paisagens, outras pessoas, diversificadas experiências. É a vida dando uma nova chance para termos um olhar mais doce. Aliás ela é especialista em dar um jeito, promover um fato novo.

Aprender a aceitar as tempestades da vida é entender que sem a chuva nada cresce. É preciso enfrentar. Viver os processos. Se despir para que “de repente, num dia qualquer, possamos acordar e perceber que já podemos lidar com aquilo que julgávamos maior que nós mesmos. Não foram os abismos que diminuíram, mas nós que crescemos…”, como bem registrou a escritora mineira, Fabíola Simões.

Ser capaz de ter calma na alma e viver os maus pedaços também nos fortalece, mesmo quando ficamos quebrados por dentro. É a vida se encarregando de explicar as coisas que não fazem sentido algum agora.

A escritora Clarice Lispector, sensível a estas questões, certa vez afirmou: “só há uma coisa na vida que precisamos aprender, e ninguém ensina isso nas escolas: a capacidade de suportar”. Entender que a vida é uma coletânea de capítulos, uns maravilhosos e outros nem tanto, nos instiga sempre. Acredito, que estou ficando boa neste negócio de ressignificar e começar do zero, mais uma vez.

Permitir desmoronar os castelos e refazê-los em terreno mais firme, não tão arenoso, talvez faça a diferença. Não significa desistir, nem tampouco desanimar. É recomeçar acreditando que é possível. É acreditar, que entre o 8 e o 80 existem 72 possibilidades, como afirmou certo dia a apresentadora Ana Maria Braga. Pois chega um momento em que temos que escolher entre virar a página ou fechar o livro.

Então, vamos fazer os nossos dias valerem as boas lembranças, pois elas não ocupam lugar, alimentam a alma e podem trazer leveza para as horas difíceis.

Neusa Medeiros é jornalista, com pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior. Sócia-diretora da empresa Edição 3 – Comunicação Empresarial, com diversificada atuação na área. Atuou, por vários anos, como assessora de imprensa e professora universitária na Unisinos, e como colunista no Jornal VS, do Grupo Editorial Sinos, onde segue como colaboradora.