Na contramão da opinião pública: das desculpas à redenção - ou não. Por Nayara Brito.

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Qual crise de imagem que não vem acompanhada de um bom pedido de desculpas, não é mesmo? Sem contar os discursos de redenção, quando a poeira dá uma baixada e é hora de retomar as atividades normais, com novos planos, projetos, posicionamento e a promessa do renascer de uma nova pessoa, uma nova marca, uma nova organização.

Eu já escrevi sobre a descrença dos públicos em relação ao pedido de desculpas das organizações, mas queria chamar a atenção para um caso em que o pedido de desculpas aconteceu, mas a famosa e esperada redenção do “ser em crise” – um atleta no caso – não aconteceu. Pelo ao contrário, o posicionamento negativo frente a sociedade se manteve da mesma forma que começou, exceto pelo saldo negativo de uma demissão neste meio tempo.

O interessante de analisar neste episódio que envolveu o ex-jogador de vôlei do Minas Clube, é que o seu pedido desculpas não foi suficiente para convencer os públicos, sobretudo digitais, sobre o arrependimento do seu erro. Entendo que, para muitos, faltou a confissão do equívoco, gerando assim, a impossibilidade de uma compreensão coletiva, para então poder iniciar o processo de gestão de reputação a qual, claro, só poderia ser recuperada – ou menos machada – com o passar do tempo.

Mas o que deu de errado com uma das etapas essenciais para uma gestão de crise de imagem como essa? Na minha opinião faltou muito mais que um “me desculpe”. Faltou redenção. Redenção essa que, mesmo sendo parte de uma visível estratégia de recuperação de imagem, ainda está no topo da lista das expectativas da sociedade a serem atendidas como um todo. No entanto, é válido dizer que, de marcas a personalidades, o tempo sempre revela o quão genuíno e transparente esse posicionamento redentor foi, ainda que este seja fruto de uma gestão e orientação profissional. Porque errar é fato, não se arrepender é desumano e, não ser de verdade, é fatal!

O atleta, claramente, foi na contramão da opinião pública e de toda estratégia que poderia tentar recuperar a sua reputação e fazê-lo superar esse episódio nos moldes mais aconselháveis. Sua escolha como gestão de sua crise de imagem não foi assumir o erro e, sim, tentar defender-se através dele, suportando as difíceis consequências e o pesado julgamento do tribunal da internet. No final de tudo, cancelado ou não, certo ou não, do pedido de desculpas à legítima defesa, cada um sabe bem o que faz da sua reputação – ou não.

Nayara Brito é relações-públicas e dedica suas escritas a temas que geralmente causam inquietações e questionamentos em sua mente. Sempre pautada em assuntos que se originam da comunicação como um todo, procura transmitir um pouco de suas reflexões, experiências e estudos por meio de seus conteúdos. Acompanhe seu trabalho também em https://www.linkedin.com/in/nayarabrito/.