MUNDO AFORA - Liberté, égalité, fraternité.

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O salão da Assembleia Geral estava dividido em dois: os liberais Girondinos, liderados por Jacques Pierre Brissot, que compunham o Terceiro Estado e defendiam a instalação da monarquia, escolheram o lado direito do salão. O lado esquerdo foi escolhido pelo grupo liderado por Robespierre, os Jacobinos. Os Jacobinos eram extremistas e defendiam o fim da monarquia, a abolição da escravidão das colônias francesas, ajuda aos necessitados etc. Naquele dia, a ‘direita’ e a ‘esquerda’ ganharam um significado ideológico que perdura até os dias de hoje.

O dia 14 de julho de 1789 marca a queda da Bastilha, na França. A Revolução Francesa foi considerada o marco mais importante da história da humanidade, por retratar o conceito de liberdade, igualdade e fraternidade – que representam até hoje a luta contra governos extremistas e ditatoriais.

O mundo vem passando por mudanças constantes desde então. A bipolarização dos governos separou pautas importantes, como a dos direitos humanos por exemplo.

Por que os direitos humanos são vistos como uma pauta levantada pela esquerda?

Pré-requisito para uma sociedade pacífica, os direitos humanos são vistos hoje por uma onda conservadora que os trata como a expressão de algo politizado. No atual governo brasileiro, assuntos como homofobia, racismo, feminicídio, legalização do aborto e da maconha são abordados como ideologias de esquerda. É como se os direitos humanos existissem apenas para favorecer uma classe social específica e não o bem comum geral de todas as pessoas. O que é um equívoco.

O mundo contemporâneo está passando por uma espécie de colapso de ideias e estratégias movidas particularmente pela política e busca pelo poder absoluto. Dentro do sistema globalizado existente na nossa sociedade há a crise dos refugiados, o aquecimento global, o feminicídio, o aumento de homicídios nas favelas, nos guetos e nos subúrbios do mundo todo, entre outras crises envolvendo a negação dos direitos humanos para um determinado nicho e assim por diante.

Se opor aos ideais humanitários não é necessariamente uma postura escolhida pela sociedade civil. Dentro dos parlamentos essa polarização ganhou espaço, mas meramente um espaço defendido pela obtenção de direitos e regalias que colidem com os verdadeiros ideais que deveriam ser debatidos entre a classe política.

Nos parlamentos existem os políticos sociais-democratas, defensores dos direitos humanos e que atuam constantemente para que a sociedade civil usufrua de seus gozos. E existem os conservadores e nacionalistas que se opõem a esses direitos – pelo menos uma boa parte deles – porque isso influencia diretamente em seus interesses econômicos ou de caráter pessoal. Essa bipolarização não surgiu agora, com a crescente onda do conservadorismo. Ela data da origem na própria Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1945, quando os capitalistas e comunistas ‘escolheram’ seus nichos na categoria humanitária que mais bem representassem seus interesses políticos, sociais e econômicos. Essa divisão se dá até hoje, principalmente por demonstrar que a tal ‘universalidade’ pretendida pela Declaração não é proporcional aos seus ideais.

Os direitos de primeira geração – direitos civis – e os de segunda geração – direitos econômicos, compõem também a inserção dos direitos sociais e culturais nas obrigações distintas do Estado, que é a de assegurar que todas essas garantias sejam cumpridas, respeitando suas vertentes. Portanto, é dever do Estado se opor a qualquer tipo de violação das liberdades individuais e coletivas de cada ser humano, por quem quer que seja. Afinal de contas, não existem direitos humanos de esquerda e direita, existem direitos humanos para a sociedade como um todo.

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