Motivos para comunicar no Terceiro Setor Por Vitoria Peluso.

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Existem mais de 820 mil organizações da sociedade civil (OSCs) com variados objetivos organizacionais, segundo o Perfil das Organizações da Sociedade Civil no Brasil, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

As instituições estão distribuídas da seguinte forma: 40% estão na região Sudeste, 25% no Nordeste, e 19% no Sul, 9% Centro-Oeste e 8% no Norte, sendo que todos os municípios do país têm pelo menos uma organização.

Em meio a tantas, o que fará com que determinada entidade ganhe visibilidade, credibilidade e – consequentemente – receba apoio? Se o trabalho de todas for igualmente relevante dentro de suas áreas de atuação, não basta fazer a diferença.

O relatório Giving Report: um retrato da doação no Brasil, lançado em fevereiro de 2019, aponta que 32% doam porque confiam nas organizações. Outras razões são ‘porque faz com que se sintam bem’ (50%), ‘preocupam-se com a causa’ (42%), ‘querem ajudar as pessoas menos favorecidas’ (40%) e ‘acreditam que todos precisam ajudar’ (38%). A pesquisa também mostra que ‘ajudar a ser uma pessoa melhor’, ‘ser um exemplo para os outros (filhos, amigos…)’, ‘incentivo da religião’, ‘toda a família doa’, ‘a sociedade espera esse comportamento’ e ‘as pessoas pediram’, são motivos que levam alguém a contribuir com uma organização da sociedade civil.

Pela variada gama de ‘razões’ acima, é importante a organização conhecer seu público-alvo, ou seja, quem são os potenciais apoiadores e doadores, para entender o porquê contribuiriam com a causa defendida pela mesma. Afinal, a cultura de doação ainda não é um motivo forte no país, apesar do brasileiro ser visto como um povo solidário. Segundo o relatório, poucos doadores citam essa razão.

Em relação ao perfil dos doares, 44% das mulheres e 35% dos homens afirmam que doam porque ‘acreditam que podem fazer a diferença’. Já 36% (mulheres) e 28% (homens) acreditam que ‘ajuda a torná-las pessoas melhores’. Entre os jovens, com idade de 18 a 24 anos, 49% doam porque ‘percebem que podem fazer a diferença’, 30% para ‘servir de exemplo aos outros’ e 12% por ‘influência das famílias’.

Mesmo a cultura da doação não sendo o principal motivo dos brasileiros para contribuir com as entidades, de acordo com a pesquisa, 76% acreditam que as organizações sociais têm um impacto positivo internacionalmente e 73% afirmam que são importantes em sua comunidade local e no Brasil como um todo. Dentro dessa percepção, os mais jovens tendem a reconhecer além da média o impacto positivo das organizações no Brasil (85%), internacionalmente (82%) e na comunidade local (75%).

De modo geral, é percebida a importância das organizações. No entanto, há uma distância entre perceber o impacto positivo e colaborar. Mais do que trabalhar e defender algo, os dados apontam que é preciso apresentar a causa, prestar contas das ações, mostrar os resultados e tornar-se conhecida e reconhecida pelo público de interesse. Com isso, é possível não apenas captar recursos, mas também ter maior alcance. Para isso, é necessário investir em comunicação. No Terceiro Setor talvez seja até mais essencial. Comunicar é preciso e demanda esforço, mas conquistar visibilidade e credibilidade é o melhor retorno.

O relatório Giving Report foi realizado pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e faz parte de uma série internacional produzida pela Aliança Global da CAF, que apresenta um retrato do comportamento e pensamento dos brasileiros em relação à doação, voluntariado e engajamento cívico. A série também inclui relatórios sobre a Austrália, Bulgária, Canadá, Índia, Rússia, África do Sul, Estados Unidos e Reino Unido.

Vitoria Peluso é jornalista e especialista em assessoria e gestão de comunicação. Atua há três anos com comunicação empresarial, comunicação interna e tem experiência como repórter e produtora de conteúdo.

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