MONÓLOGOS FILOSÓFICOS - A lógica explica.

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Para uma boa comunicação nas relações humanas não basta saber falar, também não resolve (apesar de fundamental) saber comunicar. É imprescindível saber ouvir e, principalmente, compreender o que está por trás do que é dito.

Um argumento pode ser carregado de validade lógica em suas proposições e concatenações, mas será ele dotado de verdade? É com o objetivo de diferenciar validade de verdade, deduções de induções, dentre outros elementos, que a Lógica aparece como conteúdo da Filosofia. Foi nesse lugar de fala que estava eu — uma turma de 1°. ano e trabalhando ‘Lógica’.

Apesar dos encontros com aquela turma estarem começando, eles já tinham sacado que na aula de Filosofia a professora sempre levava exemplos cotidianos, estimulava a crítica… mas aquela aula estava diferente. Eu cheguei carregada de definições: termo, juízo, proposição, tudo muito conceitual. Eles foram ficando incomodados, tentando entender para que analisávamos as proposições identificando-as como afirmativas ou negativas, universais ou particulares. Eu pedi para que esperassem, que já iriam entender aonde eu queria chegar.

[Um parêntese — nessa hora eu pensei o quanto tudo ali na sala de aula precisa fazer sentido, caso contrário, pela não compreensão, a gente perde os moleques.]

Seguimos a aula e eu cheguei ao silogismo:

— Então pessoal, no silogismo temos três proposições: duas premissas e uma conclusão. Das premissas inferimos a conclusão, mas a gente não vai se preocupar aqui com a verdade do que está sendo dito nesse formato de argumento, apenas com a validade do raciocínio.

Depois do exemplo clássico, ‘Todos os homens são mortais. Sócrates é mortal. Logo, Sócrates é homem’, e de explicar que os termos usados poderiam ser substituídos por qualquer outro que mesmo assim o argumento continuaria válido, Patrick, um aluno de raciocínio brilhante, me chama e manda com um ar de fascínio:

— Roberta, é isso que a mídia, os políticos fazem p’ra convencer a gente do que eles estão falando!

Essa foi a hora que eu larguei a caneta, olhei para eles sorrindo e disse:

— Era aí que eu queria chegar…

Quem sou: Roberta Melo, graduada, especialista e mestre em Filosofia; professora com quase 15 anos de carreira; autora do livro ‘Ressentir ou Afirmar? Perspectivas nietzscheanas sobre a dor’, editora Appris, 2018; autora de verbetes de Filosofia na Enciclopédia virtual ‘knoow.net’; apresentadora de vídeos sobre Filosofia no canal ‘Sopro de Atena’. (https://www.youtube.com/soprodeatena).