Influência dos 'stakeholders' no processo decisório da RSE. Por Denise Rugani Töpke.

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Em 2017, como parte da pesquisa que culminou na publicação do livro R$C: responsabilidade $ocioambiental compartilhada no Brasil, de minha autoria, investiguei o grau de influência de alguns stakeholders no processo de tomada de decisão das ações de responsabilidade socioambiental de 15 empresas de médio e grande porte que atuavam no Brasil.

As pessoas entrevistadas, em sua grande maioria, ocupavam o cargo de gerentes de sustentabilidade, responsabilidade social e/ou áreas afins. Algumas vezes o cargo também compreendia a função da comunicação institucional.

Em uma das perguntas dessa pesquisa, pedi aos entrevistados que avaliassem o grau de influência dos seguintes stakeholders: mídia, ONGs, consumidores, governo, acionistas, comunidade local, colaborador, fornecedor, instituições financeiras e universidades. O respondente deveria dizer, em uma escala de 1 a 5, qual o grau de influência que cada um dos stakeholders apresentava no processo de tomada de decisão das ações de RSE/sustentabilidade, sendo: 1 – influencia muito pouco; 2 – influencia pouco; 3 – é indiferente; 4 – influencia o suficiente; 5 – influencia muito.

Apresentando os resultados dessa pesquisa sucintamente, é interessante apontar que os acionistas foram o grupo stakeholder com mais respostas no grau 5 (influencia muito), seguido dos consumidores. Por outro lado, as instituições financeiras foram o grupo stakeholder que mais apresentou respostas no grau 3 (indiferente), seguido pelas universidades.

Assim, foi possível perceber que, para os entrevistados, os quais representam grandes empresas dos mais diversos ramos de atividades, consumidores e acionistas são os grupos stakeholders que mais interferem no processo decisório das ações de RSE/sustentabilidade. E as instituições financeiras, por sua vez, assim como as universidades, não são consideradas nesse processo, sendo indiferentes para essas empresas.

A relevância do grupo acionistas é facilmente compreendida quando se analisa o perfil das empresas entrevistadas, pois muitas possuem capital aberto. Já o grupo consumidores ganha relevância na tomada de decisão de ações sustentáveis porque a RSE foi ‘produtilizada’ e fez nascer um novo mercado ainda bastante promissor: o de produtos verdes. Sobre este fato tratamos no mês que vem. Até lá!

Denise Rugani Töpke é doutora em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social (UFRJ), mestre em Comunicação Social (UERJ), pós-graduada em Gestão de Pessoas (UNIGRANRIO), e em Marketing (IAG/PUC-Rio), graduada em Relações Públicas (UERJ). É professora do ensino superior há 10 anos. Coordena o curso de Marketing da Faculdade Gama e Souza desde 2008. Autora – com Fred Tavares – do livro ‘R$C: Responsabilidade $ocioambiental Compartilhada no Brasil’ (Appris, 2019).

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