GOVERNANÇA DA INOVAÇÃO - O que é Governança?

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Estamos discutindo bastante aqui sobre o que é Governança da Inovação, quais seus pilares, como se dá sua implementação, os resultados esperados etc. Também já falamos que a Governança da Inovação é uma derivada da Governança Corporativa. Neste artigo vamos entender um pouco mais sobre Governança, a ‘mãe’ da Governança da Inovação.

Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – IBGC, órgão central do tema no país, a ideia de Governança teve origem na década de 1990, nos Estados Unidos, devido à necessidade de as organizações possuírem ferramentas e regras que facilitassem a relação entre proprietários e gestão executiva.

Inúmeros autores concordam que a necessidade da implementação de seus princípios foi decorrente de seis processos históricos: 1) o desenvolvimento do capitalismo e do mundo corporativo ocorrido após as duas primeiras revoluções industriais; 2) o agigantamento de poder das empresas decorrente do grande aumento da riqueza do mundo corporativo e do rápido desenvolvimento tecnológico; 3) a dispersão do capital de controle decorrente do crescimento e desenvolvimento das sociedades por ações e surgimento das bolsas de valores; 4) a separação da propriedade e gestão – fenômeno oriundo da profissionalização do corpo executivo das empresas; 5) o conflito de agência – onde ocorre a disparidade de interesses entre gestão e propriedade e; 6) o surgimento da necessidade de mecanismos que organizassem o novo formato de empresas, fortalecendo os relacionamentos, alinhando os interesses –  despertando, desta forma, o conceito de Governança Corporativa.

No Brasil, o tema demorou mais tempo para começar a ser discutido. Apenas após a criação do hoje denominado Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – IBGC, em 1995. A partir desta data, o IBGC assumiu o papel de formular e debater questões do universo dos conselheiros de administração, componentes do principal órgão da estrutura de governança: o Conselho de Administração.

Marcos anteriores como a criação da Comissão de Valores Mobiliários – CVM e a categorização dos níveis diferenciados de governança pela Bolsa de Valores de São Paulo – BMF&BOVESPA, hoje [B3], contribuíram para a evolução das melhores práticas de governança no país e colocaram a temática como um fator de desenvolvimento das organizações. Mesmo assim, ainda hoje o assunto é considerado um tema emergente no mercado brasileiro.

Em seus primórdios, a governança corporativa existiu basicamente para sanar os conflitos de interesse entre o proprietário do capital e o gestor da empresa, o chamado conflito de agência. No entanto, com a evolução ao longo dos anos, passou a ser um conjunto de práticas que possibilita que as empresas sejam mais valorizadas e tenham maior perspectiva de desenvolvimento sustentável.

A Governança Corporativa é, então, a soma de diversos órgãos que, ao se cruzarem com a gestão da empresa, propiciam maior transparência e controle para as organizações. Dentre estes órgãos, destaca-se – frize-se – o Conselho de Administração, considerado o principal órgão na sistemática de trabalho, uma vez que é responsável pelos direcionamentos estratégicos da organização e representa o elo entre a propriedade e a gestão executiva.

O Conselho de Administração tem como maior missão proteger e valorizar a entidade, otimizando o retorno dos investimentos e buscando o equilíbrio entre as partes interessadas, de modo que cada qual receba o benefício apropriado proporcional ao vínculo com a empresa e ao risco a que está exposto.

Hoje, são atribuídos à Governança Corporativa quatro princípios básicos: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.

A transparência tem por objetivo disponibilizar todas as informações pertinentes sobre o negócio, sem a necessidade de obrigatoriedade legal. A equidade determina o tratamento justo e igual a todas as partes interessadas no negócio, independentemente da posição frente ao patrimônio da empresa. A prestação de contas salienta que os agentes de governança devem apresentar dados tanto financeiros como sobre sua atuação para com a entidade. E, por fim, a responsabilidade corporativa ressalta que os agentes da governança devem considerar a sustentabilidade, de forma a buscar a longevidade e continuidade da entidade.

No entanto, é preciso ir além, a Governança deve ser vivida pelas empresas e não apenas ser um conjunto de regras a fim de cumprir regulamentos. Por isso, o Conselho de Administração precisa pensar a estrutura de governança de maneira com que os problemas atuais e futuros possam ser solucionados com maior agilidade e sem burocracia desnecessária, tornando a empresa mais competitiva e abrindo espaço para que a inovação seja possível. Instituições lentas e com processos decisórios morosos implicam em empresas menos inovadoras e com menor grau de competitividade.

Na prática, os mecanismos de governança precisam combinar a capacidade de pensar estrategicamente com um papel de mediação entre as partes interessadas, possibilitando um alinhamento entre os objetivos de todos os envolvidos. Em se tratando de inovação, a governança não pode ser apenas a controladora, mas sim a facilitadora da direção a ser seguida. O papel do Conselho pode não ser o de decidir o que fazer com a temática, mas deverá empoderar alguém para a tomada desta decisão.

A principal contribuição que a Governança pode trazer para a inovação é criar ambientes favoráveis para o despertar da criatividade, fazendo com que o novo não seja temido e sim perseguido. Por esse motivo é que, nos últimos anos (e em vários artigos por aqui), tem-se falado muito sobre Governança da Inovação.

Tamiris Dinkowski é entusiasta e apaixonada por governança, inovação e o mundo das startups. É Contadora formada pela UFSM, especialista em Controladoria e Finanças pela PUCRS. Atua há mais de 5 anos com governança e gestão da inovação.

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