GOVERNANÇA DA INOVAÇÃO - O papel do Conselho de Administração na Governança da Inovação.

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Que a inovação é a força motriz da nova economia, ninguém duvida. E que muitos formatos de trabalho e fórmulas mágicas para aplicar a inovação e se tornar uma empresa altamente inovadora também têm amplamente surgido por aí.

No entanto, nenhum formato de inovação é um fim em si. Nenhuma organização tem a inovação como objetivo de sua existência (nem mesmo a ‘campeã’ inovadora 3M). Inovar é um meio de sobrevivência, crescimento e busca pela realização de um propósito, na grande maioria das vezes (quase todas, na verdade), conseguir atender seu público consumidor da melhor maneira possível com produtos e/ou serviços que superem seus concorrentes.

Por isso, a Governança da Inovação é a abordagem para direcionar, promover e sustentar a inovação num cenário volátil, incerto e complexo como a nossa economia. E, para isso, recaímos na velha fórmula mágica do sucesso: a tomada de decisão!

A tomada de decisão nesse ambiente envolve não apenas mitigar riscos e ameaças do presente, mas também a definição de quais serão as principais apostas para o futuro. É necessário pensar no core business de forma estratégica para criar o new business que garanta a competitividade da empresa. E, apesar de cada vez mais surgirem metodologias de como fazer isso, inovar em empresas já estabelecidas não é nada fácil.

Tais empresas priorizam inovações incrementais para clientes já existentes por meio de evoluções tecnológicas no modelo de negócios vigente. Enquanto isso, as desafiantes (normalmente as startups) apostam em soluções mais simples e baratas por meio de novos modelos de negócios e novas tecnologias.

Um exemplo disso é o caso do Airbnb, que enfatizou um produto/serviço distinto dos oferecidos pelos grandes líderes hoteleiros do mundo, conseguindo atingir um tipo de cliente que esses hotéis não atendiam. O resultado disso? O Airbnb se tornou o líder mundial em hospedagens, fazendo com que grandes redes hoteleiras tivessem que se reinventar para se manterem no mercado.

E por que isso acontece?

O Conselho de Administração dessas empresas tende a dar grande ênfase a resultados financeiros, que são importantes, claro, no entanto, reportam o passado, não sendo garantia para o futuro. Nessa época em que as inovações tendem a ser avassaladoras, a prioridade dada para olhar o que já passou já não é mais suficiente para que o órgão exerça o seu principal papel: definir o rumo estratégico das organizações.

OK. Então, o que é preciso fazer?

Definição de cultura, liderança orientada à inovação, remuneração atrelada a propósito e planejamento sucessório são os primeiros passos.

Mas há um segundo momento tão importante quanto: a tomada de decisão!

A estrutura piramidal composta por líderes no topo e governados na base, com a tomada de decisão centralizada, já não é mais atrativa para a nova geração entrante no mercado de trabalho (e é essa nova geração a grande propulsora da inovação – é necessário prestar atenção neles!).

Estruturas configuradas em rede, mais horizontais do que verticais, onde há mais pontos de contato entre os diversos agentes e com decisões descentralizadas, fazem as informações fluírem com mais rapidez, aumentam a transparência e criam maior responsabilização das partes envolvidas. É fazer a estrutura toda se sentir-se parte do propósito, e é isso – o propósito – que faz os olhos dessa nova geração brilharem.

E de quem é a responsabilidade de fazer isso acontecer? Do Conselho de Administração!

Tamiris Dinkowski é entusiasta e apaixonada por governança, inovação e o mundo das startups. É Contadora formada pela UFSM, especialista em Controladoria e Finanças pela PUCRS. Atua há mais de 5 anos com governança e gestão da inovação.

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