Gestão em foco na humanocracia. Por Adriana Medeiros Gonçalves.

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Gestores e líderes estão sendo convidados a vivenciar uma nova forma de gerenciar empresas e áreas, atribuindo princípios e valores humanos, proporcionando melhor convivência no ambiente de trabalho, e melhorando a performance de todos com mais liberdade e confiança.

Gary Hamel e Michele Zanini, autores da obra “Humanocracia” (2021), juntos defendem a erradicação da burocracia e sua substituição por algo melhor numa nova forma de ver a gestão de uma organização, voltada para o ser humano como recurso e não instrumento de uma empresa burocrática que ainda vivência velhas estruturas de liderança, privilegiando as hierarquias, não confiando em seus colaboradores, os quais aceitam cumprir regras e normas.

As organizações ainda estão sobrecarregadas pela burocracia, o que representa uma desvantagem nos sistemas de gerenciamento, lentidão na tomada de decisões, muitas regras e uma politicagem tóxica. As atividades são repetitivas e praticamente imutáveis e tendem a seguir as regras estabelecidas, as quais corrompem o nível de motivação dos colaboradores.

Não estamos emblemando que o atual é um modelo de gestão errada, pois conquistou seu lugar no topo das invenções humanas e no crescimento das indústrias. Porém, por ser uma gestão verticalizada e extremamente hierárquica, remetendo a processos longos e etapas desnecessárias na tomada de decisão, tal modelo deixa funcionários insatisfeitos e infelizes. Muita energia é desperdiçada no jogo hierárquico.

No entanto, burocracia é a cadeia de comando mais sólida da humanidade, pois garante transparência de direção, alinhando poder e competência. Neste contexto, somos motivados a centralizar e buscar resultados o tempo topo, escravizando-nos a uma sede de poder. Porém, algumas organizações de vanguarda já estão navegando para construir uma cultura que incentiva todos a pensar e agir como empreendedores inclusivos.

Muitas empresas estão sendo incubadoras e aceleradoras de inovação, com ideias planejadas para que organizações se alimentem de novas competências com engajamento, voluntariado, empolgação e alegria. Com isso, os autores descrevem os principais blocos de desenvolvimento, incluindo:

• Motivação: convocar seus colegas ao desafio de acabar com a burocracia.

• Modelos: potencializar a experiência de organizações que tenham desafiado o status quo burocrático de forma lucrativa.

Mindsets: livrar-se da mentalidade da era industrial que atrapalha o progresso.

• Mobilização: estimular uma coalizão pró-mudança para transformar sistemas e processos de gerenciamento obsoletos.

• Migração: incorporar os princípios da humanocracia – pensamento de dono, mercados, meritocracia, comunidade, abertura, experimentação e paradoxo – ao DNA da sua empresa.

É um momento para reformular e transformar cada emprego num bom trabalho para todos, no qual a cultura organizacional englobe tudo, desde a seleção, contratação e integração de funcionários. Desta forma, nas corporações mais modernas, a estrutura estará mais nivelada e a gestão de desempenho atingindo alta performance e colaboração entre equipes.

Um exemplo de empresa jovem e dinâmica é o Spotify, que presta serviço de streaming de música. Lançada em 7 de outubro de 2008, tornou-se a mais popular e usada no mundo. Para ela, inovação é a palavra-chave, e segue como obrigação entre os spotifiers, mantendo uma atividade básica e natural como falar, andar, ouvir e respirar. Ninguém faz nada sozinho, pois o conceito de colaboração e cooperação é bem desenvolvido internamente.

A paixão pelo que faz é um ponto importante aos profissionais, e a empresa está aberta para valorizar isso entre seus colaboradores. “Nunca ter medo de aprender, crescer e receio de falhar”. E a diversão é uma forma interativa e saudável no ambiente de trabalho; tudo começa de dentro para fora. É um case de sucesso pela melhoria contínua de seus profissionais. Os times são formados para serem autônomos e autoliberados.

Portanto, o núcleo Spotify se baseia na inovação e tecnologia, pois o desenvolvimento de software é sua principal atividade. Além disso, trabalha de forma iterativa, criando protótipos rápidos, testando-os junto aos seus spotifiers. Sendo assim, sua comunicação é o mais direta possível, com simplicidade e confiança. Destacamos que o diferencial desta gestão é a liderança, líderes vistos como mentores facilitam o trabalho das equipes e as encorajam a encontrar soluções.

Numa liderança humanizada o desenvolvimento pessoal caminha lado a lado com o sucesso do negócio. Para desenvolver tal liderança é necessário valorizar o capital humano, pois os colaboradores acionam as máquinas, tocam os processos e aproveitam melhor os recursos.

Estamos participando de uma aldeia global por meio dos meios eletrônicos, com pessoas e empresas conectadas num mundo digital. Na verdade, todas as redes estão interligadas, conquistando, a cada dia, mais pessoas nas teias de um mundo virtualmente unificado. Com certeza, as redes sociais enredaram o homem contemporâneo nas mudanças pós-pandemia, pois o novo coronavírus pegou muitas empresas de surpresa e fez aderissem ao trabalho remoto, o home office.

Foi uma alternativa para a economia não parar de vez, pois as empresas protegeram seu capital humano no tempo necessário. No entanto, novo cenário trouxe aos gestores a responsabilidade de treinar e viabilizar as mudanças necessárias em suas equipes, deixando-as com mais liberdade de ação; comprometidos e com alta produtividade. A tecnologia foi o apoio para a autogestão dos funcionários e dos seus negócios.

Finalmente, o programa corporativo “tradicional burocracia” começou a ser derrubado, pois o momento possibilitava ancorar os valores humanos, minimizando riscos e traçando novas metas, com experimentos “locais” para organizações mais resilientes, criativas, motivadas, participativas e inclusivas.

Referências

HAMEL, Gary & ZANINI, Michele. Humanocracia: criando organizações tão incríveis quantos as pessoas que as formam. Rio de Janeiro, Altas Book, 2021.

Team Culture – Exemplo de cultura organizacional: o Spotify <https://blog.teamculture.com.br/exemplo-de-cultura-spotify/> acessado em 20/09/2021.