Geração do descarte. Por Marcela Argollo.

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Lembro-me que antigamente, quando meu brinquedo quebrava, levava ao “doutor” brinquedos para conserto. Hoje, jogamos o brinquedo fora e compramos outro, afinal de contas não vale a pena o conserto pois tem o mesmo custo do produto novo. Eu mesma tive uma mochila a qual me acompanhou todo o meu ginásio, e que eu – no começo de cada ano – costurava e remendava pois era ela que iria usar! Não havia outra opção.

Na atualidade que estamos vivendo, comecei a não só perceber como também a me assustar com o quão essa geração de hoje trata tudo e todos de maneira tão descartável. As relações estão rasas, pessoas não estão tendo a capacidade de resiliência, flexibilidade, comprometimento e parceria. Cada vez mais percebo as pessoas pensando apenas no eu, eu e eu.

Supermercado de gente

Sem falar nos aplicativos de relacionamento, que tratam seres humanos como “comida”, demonstrando perfis de usuários em formato de cardápio, no qual se pode escolher cor dos olhos, cabelo, altura, hobbies etc. Não existe mais a adaptabilidade. As pessoas estão à procura da fictícia perfeição.

Percebo que com essas novas atitudes e hábitos, acabamos tendo muitas opções e com isso a escolha fica cada vez mais difícil se você não sabe exatamente o que quer. O que estamos ensinando aos nossos filhos é que não tem problema magoar o amigo, você faz outro novo logo ali. Deixando de lado a consolidação de princípios a ética, compaixão e a empatia com o outro.

Como isso se reflete em nossas vidas (dentro e fora das organizações)?

Cada vez mais nos deparamos com um ambiente predatório, competitivo, egoísta, com relações rasas e sem confiança. Vejo que pessoas querem só o bônus dos relacionamentos interpessoais, esquecendo portando de que tudo na vida tem dois lados: bônus e ônus.

Se um jovem entra em um estágio e, em sequência, aparece uma viagem no verão, ele – sem pensar duas vezes – pede as contas. Comprometimento? “Ah… eles encontram outro estagiário logo. Somos contratados para um trabalho apenas”.

Precisamos começar a perceber que para termos relacionamentos interpessoais e de confiança temos que ter constância e senso de construção, o que demanda tempo… tempo o qual talvez as pessoas, hoje em dia, não têm… pois estão sempre ocupadas, atrasadas e… sem tempo.

Se relacionar requer tempo e dedicação, requer profundidade, requer estar junto nos momentos de alegria, mas principalmente nos momentos mais difíceis. Requer comunicação, flexibilidade e, acima de tudo, doação.

Como já dizia o ditado africano: “Sozinho vamos mais rápido, porém juntos vamos mais longe”.

Portanto, cultive seus relacionamentos, eles são o seu maior ativo!

Marcela Argollo é formada em Administração de Empresas e Ciências Contábeis com MBA em Finanças e Compliance. Professora EAD da Fundação Getulio Vargas (FGV) para as disciplinas de Compliance, Controladoria, Planejamento e Liderança Estratégica. Coordenadora EAD da Brain Business School.