FORA DA CAIXOLA - Looping de notícias iguais.

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Já faz um certo tempo que me questiono sobre o que faz jornais conceituados, de repercussão nacional, explorarem um assunto factual ao limite máximo. São deixadas de lado informações preciosas para esgotar um – só – fato.

Eu entendo o apelo de determinados acontecimentos, bem como a necessidade de expor todos os lados de uma notícia. Mas, acredito que você já reparou também que uma mesma história contamina os noticiários e… cansa.

Será que só eu percebo e sinto isso? Beira a fofoca de terno e gravata ou o sensacionalismo com tom menos coloquial. Uma notícia completa tem aquelas perguntinhas básicas, que aprendemos na faculdade de jornalismo: quem?, o que?, quando?, onde?, como?, e por que?

Nesse lead, como chamamos, o que eu vejo é um verdadeiro looping, soltando em conta-gotas o que dá para saber de forma prática, ou seja, respondendo a todas essas perguntas e repercutindo o que se faz necessário.

Eu diria que esse timing atende ao apelo das pessoas, ávidas por qualquer dado adicional, mesmo que não se tenha nada a mais a se dizer. Creio que deva ser uma forma de se fazer presente ao que tanto as incomoda, aflige ou entristece.

Dito isso, proponho uma reflexão. Não podemos deixar o consumidor da notícia abandonado na sua própria vontade de saber, mas sucumbir a esse esquema de informação rotativa não seria o mesmo que mudar de comportamento em uma roda social para agradar a alguém? Cadê a personalidade?

A notícia por demanda, ou seja, disponível na hora que eu quero saber dela, acaba sendo mais focada. Informar exige isenção, caso contrário não seriam necessárias apenas seis questões básicas para se fazer isso há séculos.

De certa forma, não condeno os métodos randômicos, mas é preciso atenção ao escolher a fonte de informação. A forma polemizada é bem utilizada nas mesas redondas feitas após uma rodada de futebol. As polêmicas sem fim cabem nos programas de fofoca. O suspense, ou seja, segurar a notícia, não combina com os tempos de internet. A fonte consciente informa, expõe, repercute e deixa a questão para a reflexão de quem ouviu, viu ou leu.

Para finalizar, insisto em transmitir uma opinião a todas as pessoas quando vão recontar um fato. Saibam quem são as suas fontes e ouçam, antes, as respostas para quem, o que, quando, onde, como, e por que, com muita atenção. Não dá mais para ver algo na internet e repassar sem checar, não tem utilidade nenhuma. Desinformar é perigoso em qualquer circunstância ou ótica.

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