FORA DA CAIXOLA - João Gilberto.

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Precisamente no dia 10 junho de 1931 nascia João Gilberto do Prado Pereira de Oliveira, um artista considerado perfeito. Seu feito histórico foi ter inventado um ritmo intitulado Bossa Nova, no ano de 1957.

Fico imaginando como era o Rio de Janeiro e como era ser artista nessa época no Brasil. Não existiam redes sociais, a televisão existia há apenas sete anos, não havia como ouvir música por aplicativos e, mesmo assim, esse ritmo ganhou o mundo.

O ritmo, que de ‘Desafinado’ não tinha nada, foi parar no vinil da dupla Stan Getz e Charlie Byrd, fazendo com que a bossa nos deixasse músicas cantadas por várias gerações e continuasse nova em pleno século XXI.

Mas, eu me questiono sempre de uma coisa, quando mitos morrem e todos os veículos de comunicação começam a fazer ostensivas homenagens: por que não há uma espécie de retrospectiva histórica quando ainda estão vivos? Amedrontaria essas pessoas? Pareceria presságio? Seria uma indelicadeza? A TV é um grande circo, que proporciona a diversão em escalas absurdas. Nela, é possível fazer homenagens lindíssimas, com áudio e vídeo, utilizando acervos que são verdadeiras relíquias.

A história de nossa música antecede o celular, começou antes do compact disc e não conhecia o modelo ‘estúdios para locação’. João Gilberto ensaiava sua bossa em um banheiro, por conta da acústica: genial!

Bom, eu confesso que me emociono sempre que vejo um artista sendo homenageado, momento em que ele pode agradecer ao roteirista do seu filme em voz alta, revendo uma versão compilada do filme que dirigiu; a própria vida. Quadros como ‘arquivo confidencial’ estão na TV aberta e há muita gente que os julga bregas.

Brega, segundo o dicionário, é ‘característica da pessoa que não tem cortesia’. Portanto, o termo deve ser dissociado da nobre atitude de relembrar a alguém o que ela fez de bacana, útil e diferente.

Gostaria de dizer que pouco me importa a briga dos filhos do João, os Gilberto não podem mais calar a voz do patriarca que mudou a nota e o tom, caprichando ao máximo para sussurrar poesia, delicadeza e sons. E, por muitos anos, eu só ouvia os veículos de comunicação reforçando, a cada nova matéria, que o artista era temperamental e exigente, quando na verdade, ele só queria expressar sua genialidade de um jeito original.

Imagem – https://www.camacarinoticias.com.br/noticias/12/64301,joao-gilberto-pai-da-bossa-nova-morre-aos-88-anos.html

Carla Brandão é comunicadora por opção, jornalista por profissão e especialista em desenvolvimento humano por vocação. Life coach e palestrante com foco na transformação da vida em uma fonte de aprendizado e felicidade! Autora do livro #DoeCoragem – Manual Divertido de Viver o Agora.

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