FORA DA CAIXOLA - Cadê o sabor.

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Conversando com uma amiga jornalista e cozinheira de mão cheia, chegamos à conclusão de que a comida da maioria dos restaurantes está igual. O chuchu e o linguado estão parecidos quando o assunto é sabor. Será que é um reflexo da vida das pessoas?

Já reparou o quanto as pessoas estão levando uma vida mais ou menos? Se tem companhia, está ótimo, caso não tenham, tudo bem também. Ou seja, qualquer coisa está boa. Me recuso. Sim, tem dias que não há o que fazer, a não ser baixar as velas, ato estratégico para repensar a rota. Mas, não dá para levar uma vida sem sonhos.

Certa vez ouvi: quem não tem sonhos, está morto. Faz todo sentido quando entendemos que viver não é uma sequência de tarefas estafantes, isso é sobreviver. Igual comida sem sabor. A vida bem vivida tem gostinho de comida de mãe no domingo ou aquelas de programas de televisão.

E, sábado, eu e essa amiga começamos a pensar sobre o assunto. Será falta de cuidado ou uma economia que leva um restaurante a servir comida com sabor padronizado, o do sal. Falta tempero, falta gosto e, consequentemente, vida. Quando comemos algo realmente diferente parecemos aquele crítico rabugento do filme Ratatouille, que arregala os olhos e tem a mente capturada por uma lembrança de infância. Sabor e perfume, por exemplo, ficam guardados na memória e basta um segundo para passar anos pela memória e nos emocionar.

Nessa árdua e contemporânea tarefa, percebo que quando nos afastamos da megalópole, ficamos próximos do sabor. O alho e a cebola são protagonistas e o tempo tem outro significado e relógio.

Quem nunca pensou em morar longe da cidade grande só para não pegar trânsito e ou então fugir para visitar os pais, depois de ter ido dar um passeio pelo mundo. Sonhar não custa nada, só requer disposição e ousadia, justamente os elementos que os vencedores carregam na mala, para usar nas horas certas.

Pesquisa do Instituto Locomotiva, divulgada em maio do ano passado, demonstra que 8 em cada 10 brasileiros afirmam se esforçar para ter uma alimentação saudável e 71% dos entrevistados apontam que preferem produtos mais saudáveis, mesmo se forem mais caros. Um bom sinal de que a busca pela qualidade está fazendo a diferença.

Na hora de escolher, prefira o que tem sabor, senão você só estará matando a fome. E aí fica a famosa pergunta: você vive para comer ou come para viver?

2 respostas para “FORA DA CAIXOLA – Cadê o sabor.”

  1. Cristina Pupo disse:

    Boas colocações para reflexão sobre o quanto sem sal, sem emoção, sem vontades está a vida da gente, das pessoas?
    E comida é tão importante para nossa essência que agrega pessoas, famílias.
    Lembro que minha mãe sempre fazia algo especial nos fins de semana ou quando ia vê-la.
    Esse carinho para manipular alimentos faz sim, toda diferença.
    Vamos repensar conceitos importantes que não estão mais agregados em nossa realidade.
    Seja para facilitar nossa vida ou mesmo por entrarmos nesse redemoinho sem percebermos.
    Grata pelo texto.

  2. Carla Brandão disse:

    Cristina, feliz em saber que tocou fundo e promoveu uma reflexão. Um beijo e muito obrigada!

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