FORA DA CAIXOLA - 80 tiros por engano.

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O que faz acontecer uma tragédia em uma das principais capitais do país e o assunto ter menos repercussão do que a gravidez de alguma famosa ou a final de um campeonato de futebol?

Eu estou indignada com a omissão de tanta gente. Como sempre, replico a frase de Martin Luther King a qual cita que o que mais o assustava não era o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.

Como pode um ato de incompetência e covardia não comover autoridades suficientes para tomarem providências humanas? Como pode um engano que mata um pai de família não ter, no mínimo, um pedido de desculpas formal justo por parte dos responsáveis?

Quando, desde pequenos, cometíamos erros, enganos, injustiças, nossos pais nos alertavam, nos explicavam o que fizemos de errado e nos ensinavam a pedir desculpas e a tentar sanar o erro. Estaríamos nós, perdendo a noção do que é certo?

Vale aquela outra ferramenta de humanidade chamada empatia, que nos coloca no lugar do outro. E aí vai a pergunta: e se você estivesse no lugar do Evaldo, o homem de 51 anos que teve seu carro alvejado, por engano, e veio a falecer, deixando a família aos prantos, com uma dor enorme causada pela perda e pela impotência.

Que destino deve ter essa família, a do descaso? Quero me juntar ao Emicida, rapper paulista que deixou sua indignação registrada no programa que apresenta. Como ele, todos deveriam se unir para não deixar no esquecimento mais um engano absurdo – que está se tornando rotina.

Todos erram, mas o que se segue é a retratação, a justiça e a restituição possível, nesse caso, a da dignidade. Oito tiros já seria absurdo. 80 tiros disparados sem certeza de quem era o alvo é demais para qualquer homem de bem desse mundo.

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