'ESG' ganha espaço na pauta corporativa. Por Andrea Nakane.

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A sigla ESG está cada vez mais ganhando projeção e espaço nas intenções e ações das empresas alinhadas com temas que ressoam na contemporaneidade.

Sua conceituação vem do acróstico ESG em inglês; Environmental, Social e Governance, e em uma tradução livre pode ser entendida como Agendas Ambiental, de Sustentabilidade e de Governança, e por isso já é conhecida em território dominado pela língua portuguesa como ASG, referindo-se aos pilares acima descritos.

Na contextualização de sua identidade está explícito seu alinhamento ao preceito de que esses temas não são mais considerados meros diferenciais, mas sim uma vertente compulsória que irá determinar a continuidade de todo e qualquer negócio, já que há uma onda de maior consciência social, o que determina uma pressão para que as organizações busquem introduzir de forma verossímil esse contexto em seus negócios.

O que foi comprovado por um estudo realizado pelo The Boston Consulting Group (BCG), que indicou que as companhias que têm boas práticas nesses campos apresentam resultados melhores ao longo do tempo.

O tripé ESG surgiu pela primeira vez no final de 2004, numa iniciativa chamada Who Cares Wins, da ONU (Organização das Nações Unidas) em parceria com instituições financeiras. A ideia criada pelo então secretário-geral da instituição, Kofi Annan, visava unir as instituições – de vários países – para encontrar formas de envolver o tema no mercado financeiro.

Percebe-se, então, que as práticas desse tipo de gestão na atualidade estão configuradas em um processo de maior comprometimento, responsabilidade e transparência.

A comunicação, mais uma vez, torna-se estratégia vital para que as ações sejam devidamente informadas aos seus diversos grupos de interesse e assim proporcionar uma real percepção de seu modus operandi e valores inseridos em sua estrutura institucional.

O profissional de relações públicas está compromissado em construir a imagem e identidade corporativa da organização por meio de uma visão estratégica. Importante ressaltar que a mesma deve estar condicionada a um viés puro de ética, já que a comunicação saudável e de maior legitimidade e confiança não pode ser sedimentada em dados mentirosos, ludibriosos ou especulativos.

Muitas organizações, infelizmente, ainda teimam em conduzir sua trajetória corporativa em cenários que priorizam o greenwashing – termo crítico aplicado a empresas e indústrias públicas ou privadas, organizações não governamentais (ONGs), governos ou políticos que se dizem “verdes” se ser. Insto consiste na estratégia de promover discursos, anúncios, ações, documentos e campanhas publicitárias sobre ser ambientalmente/ecologicamente correto, green, sustentável, verde, eco-friendly etc. sem efetivamente isto ser algo concreto, que incitaria a minimização ou solução dos problemas ambientais oriundos de sua atuação.

Em época na qual as pós-verdades, as conhecidas fake news, multiplicam-se por uma maior facilitação do uso das mídias independentes, isso pode até soar como um cenário propício para tal amarga conduta, porém a rapidez que as mesmas podem ser derrubadas, já carimba de imediato crises de imagens e, consequentemente, de reputação, que podem ser avassaladoras.

ESG – ou ASG – tornou-se uma referência compiladora de credenciais imprescindíveis frente aos novos tempos, sobretudo pós-modificações oriundas da pandemia que assolou o mundo, a partir de 2019, no qual as empresas não só podem e devem se desenvolver de maneira sustentável, buscando o uso consciente dos recursos naturais, com atribuições às causas sociais e gerando um autopoliciamento ou monitoramento interno para evitar ações de corrupções internas e externas. E sua união com a Comunicação é um potencial indutor do reconhecimento de suas boas práticas junto aos seus diferentes stakeholders e que precisa ser intensificado, afinal comunicar fatos relevantes amplia a percepção imagética de uma organização e lhe possibilita não só atender às suas prerrogativas de cunho financeiro, mas também de uma outorga legítima de ser uma empresa cidadã, com deferências compromissadas com sua própria sobrevivência e de toda a cadeia humana.

A decisão é de cada empresa, mas o interesse é de todos nós!

Andrea Nakane é bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas. Possui especialização em Marketing (ESPM-Rio), em Educação do Ensino Superior (Universidade Anhembi-Morumbi), em Administração e Organização de Eventos (Senac-SP), e Planejamento, Implementação e Gestão da Educação a Distância (UFF). É mestre Hospitalidade pela Universidade Anhembi-Morumbi e doutora em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo, com tese focada no ambiente dos eventos de entretenimento ao vivo, construção e gestão de marcas.