Ela só queria brincar! Enquanto eu pensava em como a ensinar. Por Viviane Cupello.

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Era o dia da aula daquela aluna, mas eu não estava conseguindo que ela mantivesse a atenção para seu atendimento pedagógico individual.

Eu a atendo de manhã bem cedo e, quando cheguei à sua casa, notei que ela estava cansada, querendo mais brincar do que estudar.

Convidei, então, suas bonecas para a aula e, imediatamente, ela tornou-se professora delas, mediando a minha intervenção a todas as alunas, inclusive ela mesma. Como escriba e ouvinte, transcrevia o que elas estavam lendo e escrevendo.

E, assim, seguimos no fluxo dessa brincadeira, desse amor e dessa aprendizagem nesse encontro.

Quando trabalhamos com crianças, é imprescindível doarmos-lhes nossos ouvidos. Nessa escuta ativa, nos sintonizamos com suas necessidades e, empaticamente, conseguimos um canal de conexão, equilibrando a sensibilidade com a razão. Esse processo colaborativo faz da aprendizagem um processo construtivo e não apenas receptivo, pois estabelece relações emocionais que impactarão no processo de ensino-aprendizagem. A absorção dos conhecimentos, criados através da transformação da experiência, será facilitada pelos canais sensoriais pelos quais a criança mais domina e, para essa descoberta, a mediação, a orientação e a facilitação do adulto tornam-se essenciais.

O professor que acredita genuinamente nos seus alunos, estabelece uma forte conexão com eles, criando uma comunicação afetiva e efetiva na construção do protagonismo do estudante em seu processo educativo.

Para cada uma dessas propostas, como a desse atendimento com a aluna, eu confesso que não sei mensurar quem fica mais feliz ao final das aulas, se sou eu, se é o estudante ou os seus ‘alunos’.

Viviane Cupello é amante da Educação, das Artes e de Pessoas. É professora e pedagoga, especialista em Gestão Escolar e em formação na Gestão de Pessoas. Estudou teatro, sempre foi apaixonada pela escrita, escreve poemas no canal ‘Poetizei Poetizamos’ e tem como um dos propósitos de vida o trabalho social. Atua na Educação há 20 anos: é alfabetizadora, lecionou em turmas da Educação Infantil e Ensino Fundamental I, coordenou o turno Integral e ministrou cursos de Escolarização, Atualização e de Formação para adultos. Fundadora da CAPAS – Ações para Educação, acredita no desenvolvimento humano por meio da Educação.