Educomunicação, novas tecnologias e o fazer jornalismo.

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Não há dúvidas que os meios de comunicação são fontes de ampliação da experiência humana e por isso mesmo formam parte e atuam como mediadores da compreensão que temos do mundo, das coisas que nos afetam e de nós mesmos. Sendo assim, e considerando o seu papel, a discussão está além de uma questão de produção de notícias, mas também da responsabilidade social dos meios de comunicação para com a sociedade na hora de transmitir uma informação. Esta responsabilidade, explica Coello em seu livro ‘El Periodismo Herido’, começa com o cuidado no uso correto da língua e seu domínio com a linguagem até chegar ao respeito aos leitores: ‘A primeira técnica que há de dominar todo jornalista é a linguagem, sua ferramenta de todo momento. A maior ou menor limpeza que um jornal preste à linguagem é reflexo fiel do maior ou menor respeito que esse diário tem junto a seus leitores’. (Coello, 2001, p.17).

Daí se retiram dois pontos que devem ser características básicas do jornalista: escrever bem e combinar a boa escrita com a ética, a competência, a determinação e a responsabilidade. Básico e óbvio, não é?

Feitas essas primeiras considerações, chegamos à discussão proposta neste artigo que é tratar sobre o tema Educomunicação, novas tecnologias e o fazer jornalístico – e como essas três áreas estão relacionadas, especialmente nesta nova cultura ‘hipermidiatizada’. Aqui, é impossível ignorar que novas linguagens são inseridas no fazer jornalismo, assim como novos conceitos e conteúdos característicos do ambiente digital. Tudo isso, aliado à interculturalidade, ao fluxo de informações e ao que as novas mídias impõem, redefinindo o papel dos usuários que, além de consumidores de informação passam a se tornar também ‘prosumidores’ de informação.

Complexo? Sim. Mas é impensável, no mundo atual, separarmos educação, comunicação e novas tecnologias. Estas últimas, é preciso ressaltar, não só se tornaram tão rapidamente parte integrante de nosso dia a dia, mas também se apresentam como um desafio ao sistema de educação formal e, por extensão, à educação continuada dos cidadãos através dos meios de comunicação.

As colocações aqui expostas nos levam a refletir sobre muitas outras, em especial sobre a necessidade de abertura para novos diálogos e reflexões críticas sobre a qualidade do sistema educativo (da educação básica até a universidade), o papel da universidade e as teorias de grandes pioneiros da Educação, avançando sobre temas pontuais e prioritários na agenda da comunicação educativa, tais como comunicação e mediação, publicidade, jornalismo cidadão, dentre outros.

Nesse cenário, é urgente debater o papel das novas mídias no processo comunicativo e educativo, no sentido de aprofundar e ampliar a compreensão acerca de questões pendentes, não somente nas mudanças provocadas pelo surgimento da internet – e, por extensão, das redes sociais – o que ampliou o espaço para a discussão de temas de interesse público, mas também no sentido de aumentar sua visibilidade e melhorar a qualidade da informação, de maneira que ajudem a mobilizar e envolver a sociedade para um debate sério, educativo e produtivo.

Ana Cristina Guedes é jornalista, especialista em Comunicação Institucional e Comunicação Política, e Mestre em Comunicação pela Universidade de Valladolid, Espanha.

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