E essa tal sopa de letrinhas das gerações, como ela impacta no perfil do consumidor. Por Naomi Tatekawa.

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Quando paramos para pensar em nós como consumidores percebemos claramente que há uma grande diferença no perfil de cada geração. Provavelmente seus costumes e crenças de compra sejam bem diferentes de seus pais e avós, não é mesmo?

Atualmente existem 4 gerações de consumidores diferentes no mercado (e em breve chegaremos a 5), e cada qual com suas particularidades e características únicas, sendo elas:

Baby Boomers (1940 – 1960)
Geração X (1960 – 1980)
Geração Y ou Millennials (1980 – 1995)
Geração Z (1995 – 2010)

E mais os recém-chegados da ‘Geração Alpha’, nascidos a partir de 2010, mas que ainda não são considerados reais consumidores.

Há uma grande variação da faixa etária de cada geração, e elas podem mudar conforme a fonte consultada, pois não há um consenso real no debate do corte de cada uma, principalmente no Brasil, pois não houve um impacto direto e significativo gerado pela Segunda Guerra Mundial. Porém independente de qual seja a fonte pesquisada, elas sempre se aproximam das datas acima, e não podemos esquecer que cada classificação vale somente para identificar grande parte de um grupo da sociedade.

E essa tal de sopa de letrinhas das gerações, como ela impacta no perfil do consumidor? Ela impacta de diferentes formas, pois cada geração possui fortes e distintas características entre elas. Se consideramos que a geração Baby Boomers é avessa as mudanças, a Geração Z é ágil, multitarefa e capaz de consumir uma quantidade ilimitada de informações diariamente, já podemos perceber como há características singulares em cada uma. Vamos entender as principais características de cada uma e como podem impactar no seu perfil de consumidor.

A geração Baby Boomers ainda possui a maior parte da concentração da riqueza mundial, além disso muitos ainda são responsáveis pelas principais tomadas de decisões do mundo. Devido ao fato de terem crescido em um mundo menos acelerado que o atual, eles priorizam a estabilidade, são desfavoráveis as mudanças, por este motivo muitas vezes são fielmente apegados as marcas que gostam, podemos até considerar que há uma relação afetiva. Mesmo quando não possuem possíveis boas experiências com a marca, eles tendem a dar ‘uma segunda chance’ pois acreditam e a valorizam.

A geração X apesar de possuir muitas características semelhantes à anterior pode ser considerada de mais individualista, deixando um pouco de lado o senso coletivo antes visto. Por este motivo muitos se tornaram donos de suas próprias empresas, e hoje representam boa parte dos empresários do mundo. Eles possuem um alto poder de consumo e buscam aproveitar a sua condição econômica de todas as formas. Podendo gastar uma quantia exorbitante em algo que julgue valioso para si, podendo assim curtir o que quiser e como quiser.

A geração Y (Millennials) possui a grande característica de serem flexíveis e adaptáveis as mudanças constantes, é a última geração que surgiu em um mundo sem internet porém ao longo sua infância/adolescência presenciou o nascimento de um mundo mais veloz e conectado. Por terem crescido e se adaptado a este novo conceito de mundo, são pessoas extremamente imediatistas, que não ligam tanto para estabilidade, mas estão totalmente conectados a sua paixão e experiência vivida. Hoje considerados a maior parte economicamente ativa do país, eles são vistos como os divisores de água na forma de se consumir uma marca, pois passaram a serem consumidores globais ao invés de somente ter influência em seu grupo de amigos, passaram a buscar experiências únicas ao invés de jurar fidelidade a uma marca.

A geração Z já nasce com um celular na mão, não há mais a clara divisão do que é offline e online para eles, tudo é rápido e as transformações são exigidas dia-a-dia. Há uma busca incansável por possuir uma identidade bastante fluida, longe de rótulos existentes. Mas ao mesmo tempo são muito mais inseguros com o futuro ao compararmos com a geração anterior, possuem uma relação muito mais preocupada com seu dinheiro. Trata-se de uma geração que não é conectada a marcas, e nem deslumbradas por experiências únicas, buscam muito mais relações que sejam ligadas a identidade das pessoas, e possuem um forte senso na busca por sua verdadeira essência.

Por sua vez, a geração Alpha ainda não possui características estudadas por serem muito jovens, pois ainda não fazem parte do mercado de consumo, mas empresas já monitoram e fazem projeções de possíveis hábitos desta nova geração. Trata-se da geração que será impactada diretamente pela inteligência artificial, haverá uma estreita relação entre máquinas e humanos, e isto afetará a forma com eles irão consumir as marcas. Serão consumidores muito mais livres em relação a sua identidade e quereres, e por receberem tantos estímulos desde muito pequenos, crescerão muito mais engajados naquilo em que acreditarão.

Por possuírem características tão distintas entre elas, os consumidores de cada geração querem ser vistos e reconhecidos por seus atributos, tendo suas características respeitadas pelas empresas. O que para uma geração não faz sentido algum, para uma outra pode ser o fator decisor para escolher comprar algo de uma marca especifica. E nessa sopa de letrinhas das gerações se destacará a marca que se tornar adaptável a cada uma delas, e a todas elas, reconhecendo que mesmo distintas elas estão ligadas entre si.

Naomi Tatekawa, graduada em Relações Internacionais, especialista em Inteligência de Mercado, com experiência de 10 anos nos maiores e mais renomados institutos de Pesquisa de Mercado do mundo. Durante estes 10 anos foi responsável pelo gerenciamento de alguns projetos importantes do mercado no segmento de Consumer Experience.