DNA DE MARCA - Likes invisíveis: o que muda para as empresas?

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Nesta semana o número de likes nas publicações do Instagram ficou invisível para os usuários. Em nota o Instagram disse que a mudança ocorreu pois eles não querem que as pessoas sintam que estão em uma competição dentro da rede social. Isso é o que o Instagram diz, mas sabemos que sempre há outros interesses por trás dessas grandes mudanças.

Ao contrário do que muitas pessoas acham, o Instagram não está fazendo isso pela ‘saúde mental’ dos usuários, mas sim pelo engajamento. Like não cria nenhuma ligação entre criador de conteúdo e usuário, mas comentário sim. Com mais comentários, mais notificações e mais acessos à rede social, o Instagram pretende ganhar dinheiro com essa grande mudança, pois mais pessoas engajadas, mais empresas investindo em anúncios.

Essa mudança não deve afetar as empresas, considerando que toda empresa deve se preocupar com a geração de conteúdo de qualidade e não apenas com os likes e o alcance de suas publicações. Quem possui um ótimo conteúdo terá realmente certeza agora.

Um exemplo sobre a relação entre conteúdo e likes podemos ver no primeiro episódio da série ‘Eu e o Universo’ (disponível na Netflix). A série é bem interessante e busca explicar vários temas do nosso dia a dia de uma forma fácil e lúdica. No primeiro episódio o tema é mídia social. Nesse episódio é realizado um experimento em que duas fotos são mostradas para dois grupos de adolescentes; uma das fotos possui muitos likes e a outra poucos likes. Os grupos são convidados a escolherem qual foto eles preferem. E como já era de se esperar, eles escolheram a foto com mais likes.

O resultado do experimento realizado no episódio só confirma o que Martin Lindstrom citou em seu livro ‘A lógica do consumo’. Martin explica que nossos neurônios-espelho são os grandes responsáveis por seguirmos o comportamento dos nossos semelhantes apenas para nos sentirmos parte de um grupo ou para sentirmos a mesma sensação que o outro.

Com os likes invisíveis os usuários não serão influenciados por seus neurônios-espelho, mas por sua própria opinião. Assim as empresas saberão se seu conteúdo realmente é relevante e abrirão os olhos para outras métricas mais importantes.

Em relação à contratação de influenciadores digitais, os likes invisíveis não devem interferir. Toda empresa deve solicitar ao influencer um relatório completo antes de fechar contrato e isso deve continuar. Os likes nunca deveriam ser levados em consideração no momento de contratar um influencer e esperamos que isso melhore a partir de agora.

Maria Gabriela Tosin é graduada em Relações Públicas pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Cursa especialização em Mídias Digitais na Universidade Positivo. Atuou como pesquisadora na área de artes e mídias digitais. Atua como produtora de conteúdo na agência Seward Comunicação Integrada.

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