CRÔNICAS SOBRE A GENTE - Morte ou juventude atrapalhada? Qual a sua escolha? Por Bettyna Gau Beni.

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Uma profunda reflexão sobre a morte tem me acompanhado há meses, desde que participei de um evento sobre o tema, onde um grande nome do RH, professor Bernardo Leite, mostrou os resultados da pesquisa sobre como as empresas lidam com o luto de seus colaboradores. Fiquei com um grande ponto de interrogação na cabeça: se a morte é uma das únicas certezas da vida, por que evitamos falar nela?

Pois bem, neste mesmo evento estavam presentes pessoas que passaram por momentos de luto tendo que encarar mortes trágicas, como o goleiro do Chapecoense Jackson Follman, que apesar de tudo, e por tudo, é muito grato por ter sobrevivido. E fala de amor, de família, da valorização das coisas simples da vida.

Outras pessoas que trabalham encarando a morte todos os dias estavam lá. Mariana Clarke, psicóloga que até hoje dá apoio às vítimas de Brumadinho, disse que as pessoas passam por uma média de 25 lutos em suas vidas: desde o fim de um relacionamento até a perda de um emprego.

Sandra Assali, fundadora de uma associação para apoio às vítimas de acidentes aéreos e catástrofes, buscou na orientação a outras pessoas enlutadas a força para lidar com o seu próprio luto. Os exemplos citados, somados às minhas reflexões, têm me levado cada vez mais a entender a morte como uma oportunidade.

A ‘O Corpo Explica’, empresa de tecnologia que trabalha com o comportamento humano, criou uma filosofia, uma metodologia, um conceito – enfim – que trata de todos os temas de nossas vidas como escolhas. Sim, a ‘O Corpo Explica’ diz que a morte também é uma escolha. Chocante? Absolutamente! Mas também muito verdadeiro! Quem nunca usou a expressão: ‘Ela estava bem, mas no final, se entregou?’ ou ‘Ele morreu do nada!?’.

Imagine, somente por um instante, que possamos realmente ter algum poder de escolha, ainda que consideremos mínimo, sobre a morte? Não seria libertador?

Há menos de um mês passei pela morte de um grande amigo. Com apenas 75 anos, ainda novo se considerarmos a expectativa de vida dos dias de hoje, ele simplesmente morreu ‘do nada’. Devido a um câncer descoberto menos de dois meses antes. Incrível como fumar por mais de três décadas, mesmo tendo parado há alguns poucos anos, fez com que ele tivesse morrido de câncer do pulmão, assim, do nada!

Acredito que se, de fato, tenho como escolher, escolho ser como uma senhorinha super-simpática, com quase 95 anos de idade, que estava no velório do meu amigo, e, precisando de minha ajuda para descer as escadas, me olhou com profundos olhos azuis, cheios de bondade, e me disse: ‘Muito obrigada! Os degraus são o meu grande diferencial! Sabe, filha, eu estou com a juventude meio atrapalhada’. Abri um largo sorriso, me esquecendo completamente do local e da situação em que nos encontrávamos, e disse: ‘Não se preocupe, todos chegaremos lá. A minha juventude também ficará atrapalhada’. E a resposta veio de imediato: ‘Espero que sim! Desejo que viva longamente!’.

Não é lindo demais pensar que temos escolhas, que podemos escolher viver até ficarmos com a nossa juventude atrapalhada?

E você? Como se sente tendo a oportunidade de escolher envelhecer ao invés de morrer?

Bettyna Gau Beni é empreendedora e consultora em desenvolvimento humano e organizacional pela Evoluigi (www.evoluigi.com.br), com especializações em gestão de negócios, comportamento humano, coaching e gestão da mudança.