Coronavírus: o enquadramento da tragédia e do espetáculo. Por Flávia Ferreira.

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O jornalismo, tal como conhecemos hoje, e o drama, como gênero teatral, têm origens comuns. Ambos despontaram no século XVIII e se consolidaram ao longo do século seguinte. Nasceram no contexto da revolução burguesa, inspirados nos ideais iluministas e, logo, se comprometeram com a busca do realismo e da verdade em âmbito social.

De acordo com a pesquisadora Teresa Neves, em sentido lato, o drama é um dos três gêneros literários fundamentais estabelecidos por Platão e sistematizados por Aristóteles. Segundo essa visão clássica, designa toda composição literária apresentada por meio da ação de personagens que dialogam e interagem de maneira aparentemente objetiva, sem a presença de um autor para conduzir a narrativa ou para expressar sentimentos íntimos.

O modelo de mídia sensacionalista foi trazido pelo capitalismo, que fez com que a mídia se preocupasse mais com a audiência do que com transformar a comunicação em algo de interesse público. Esse conceito é trabalhado com afinco por Debord (2003), no livro ‘A Sociedade do Espetáculo’. Para o pesquisador, a sociedade capitalista separa os trabalhadores dos produtos de seu trabalho, a arte da vida, o consumo das necessidades humanas e das atividades autodirigidas, como se os indivíduos observassem, inertes, os espetáculos da vida social de dentro de suas próprias casas.

No artigo ‘Cultura da mídia, cultura do consumo: imagem e espetáculo no discurso pós-moderno’, das doutoras em comunicação Rose de Melo e Gisela Castro (2009), é abordada a visão do teórico norte-americano Douglas Kellner, a qual define que a própria constituição dos modos de ser e viver são, hoje, em grande parte condicionados pelos padrões e modelos fornecidos pela cultura da mídia.

Referindo-se ao conceito frankfurtiano de indústria cultural, Kellner esclarece que a mídia funciona segundo um modelo industrial, cujos produtos são mercadorias criadas para atender aos interesses de seus controladores; gigantescos conglomerados transnacionais, hoje dominantes.

Ainda de acordo com o autor, o entretenimento é o principal produto oferecido pela cultura da mídia, usando o jornalismo como uma das formas de ‘espetacularizar o cotidiano de modo a seduzir suas audiências e levá-las a identificar-se com as representações sociais e ideológicas nela presentes’. Os variados modelos e padrões que são vistos nas ruas de todo o mundo hoje convivem nas ondas, páginas ou telas dos mais variados meios de comunicação que permeiam nosso cotidiano.

Flávia Ferreira é jornalista pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação. Com mais de 10 anos de atuação profissional, já navegou pelo terceiro setor, o setor público e o privado, sempre trazendo o viés social para o trabalho cotidiano, seja com comunicação corporativa, gestão de marcas ou reportagens de campo.