COMUNICAR É PRECISO - Reconhecimento no meio social.

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Como fica o reconhecimento na esfera dos afetos, da conformidade e da responsabilidade social?

Falar da dimensão reconhecimento, em um momento de distanciamento social, não deixa de ser uma quebra de paradigma…

Vou fazer um paralelo com conceitos do filósofo e sociólogo alemão Axel Honneth, do reconhecimento intersubjetivo, estudados especialmente na área da educação por profissionais como Vanessa dos Santos Nogueira e Suzana Guerra Albornoz.

Ainda que perceba que o fenômeno social da pandemia e do distanciamento social possa mexer com estes mesmos conceitos de uma maneira bem significativa, penso que vale refletir sobre estas três dimensões:

Reconhecimento na esfera dos afetos

E vou começar a nossa reflexão pelo aspecto emocional do reconhecimento. Aquele vínculo que se estabelece entre o objeto de reconhecimento e aqueles com quem ele se relaciona. Uma esfera que precisa partir do autoafeto, da autoaprovação daquele que busca o reconhecimento alheio.

Em se tratando de uma instituição, é preciso que primeiro este organismo se reconheça em seu propósito e testifique na prática a realização entorno dele. A meu ver, somente a partir desta identidade identificada e materializada nas escolhas de negócio, reconhecida de dentro para fora, que a instituição é capaz de se lançar aos seus públicos de interesse de forma significativa. Daí a importância desse reconhecimento partir do estreitamento com o público interno. Ele é que forma a organização em suas relações primárias e que é capaz de identificar e reconhecer o valor dela na esfera dos afetos concretos.

Os colaboradores são o ativo mais valioso, capazes de gerar a autoconfiança necessária para produzir sentido em uma comunicação emotiva, de identificação com as características mais sensíveis e profundas dos públicos. Gente falando com gente.

Conformidade e respeito

Já o respeito cognitivo é atribuído como reconhecimento da conformidade da instituição. O reconhecimento do público na esfera das relações jurídicas repeitadas, das leis e dos direitos, seja no relacionamento com seus consumidores, seja no agir em compliance da empresa de forma ampla. A ele se destina a comunicação lógica, coerente com a prática e com as necessidades da sociedade. Nele toca a comunicação com transparência e responsabilidade. Dele deriva o reconhecimento a partir do respeito conquistado, da busca pelo correto, pelo convencionado.

Interdependência e bem comum

Por fim, lembramos da estima social, um reconhecimento a partir do compartilhamento dos valores, da contribuição para a comunidade, seja por meio da responsabilidade social, seja pela geração de valor no produto que contribui para sua melhoria e evolução. E aqui buscamos a comunicação que une instituição e público, não na esfera das individualidades mas na construção do bem comum, um abrir caminho para um futuro que faça sentido para ambos e para todos.

Imagens: Wikicommons
Joseph Kutter – Le champion
Wilhelm Zimmer – The bowling champion
MET – Champion strong man

Fernanda Galheigo é jornalista com foco em comunicação interna e fortalecimento da liderança. Mãe de gêmeos, é apaixonada pela comunicação como forma de cura, ferramenta de gestão e de qualidade de vida.