COMUNICAR É PRECISO - Olhando sem ver, ouvindo sem escutar.

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Quando as distrações diminuem nossa eficiência

Em uma comunicação, para poder transmitir uma ideia e se fazer entender, é preciso conseguir escutar de fato, observar, ler o mundo ao redor. Mas o que me espanta é a sensação de uma perda geral da capacidade de atenção das pessoas.

Tem sido tão comum erros passarem despercebidos a olhares treinados, que não é de se espantar tantas falhas de comunicação. Certezas viram dúvidas e dúvidas nem são cogitadas antes de serem aprovadas… Um terreno fértil para fake news e manipulações. Em uma época de extrema facilidade de acesso às informações, ficou difícil filtrar.

E o que nos tem tornado tão dispersos e roubado nosso foco?

Uma das hipóteses aponta para o excesso de interrupções, seja pelas notificações dos dispositivos eletrônicos, seja pelas interferências de quem está ao redor e não consegue aguardar para receber atenção.

Ashley Stahl, coach de carreira, em artigo para a Forbes, considera que ‘o simples fato de saber que um colega de trabalho pode chegar à sua mesa enquanto você pensa profundamente, cria uma sensação crônica e persistente de ansiedade e distração’.

E a questão não para por aí; estima-se que nossa produtividade reduz-se em cerca de 96% por conta da distração.

Um estudo da professora Glória Janet Mark, do Departamento de Informática da Universidade da Califórnia, em 2013, mostrou que, após uma interrupção, são necessários mais de 23 minutos para nosso cérebro conseguir focar novamente na tarefa interrompida. A mesma pesquisadora concluiu que os trabalhadores típicos de escritório só têm 11 minutos contínuos para trabalhar em uma tarefa antes de serem interrompidos. Basta uma conta rápida para pensar no prejuízo que as distrações não intencionais trazem para as organizações. Não à toa empresas investem em monitoramentos com inteligência artificial para nos lembrar do óbvio.

Com as mentes distraídas, trombamos em paredes, tropeçamos em móveis, ouvimos um ‘cisco’ como Francisco. Somos capazes de não perceber as mudanças explícitas, de negligenciar o que está nas linhas, quiçá nas entrelinhas. Por isso, se não é possível impedir totalmente as interferências de terceiros, gerencie as distrações que você pode limitar:

  • Substitua as notificações dos aplicativos e redes sociais por alarmes de intervalos (a cada 20, 30 ou 60 minutos) para fazer uma verificação dos contatos mais relevantes por um ou dois minutos;
  • Treine não interromper cada tarefa por, pelo menos, vinte minutos;
  • Faça intervalos de dez minutos para cada 90 minutos focados, dando à mente distrações intencionais e organizadas;
  • Procure não interromper seus colegas se não for realmente necessário e urgente;
  • Trabalhe sua ansiedade e permita momentos de silêncio e tédio para processar tantos estímulos.

Fernanda Galheigo é jornalista com foco em comunicação interna e fortalecimento da liderança. Mãe de gêmeos, é apaixonada pela comunicação como forma de cura, ferramenta de gestão e de qualidade de vida.

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