COMUNICAR É PRECISO - O sábio duvida. O comunicador abre possibilidades de escuta.

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‘O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete’. O pensamento atribuído a Aristóteles tem atravessado meu caminho de maneira tão recorrente nos últimos dias, que resolvi tentar ouvir o que ele tinha a dizer para nós.

Os quês e seus porquês

O primeiro pensamento foi a lembrança da necessidade da escuta ativa e as técnicas dos porquês para entender o que está por trás de uma abordagem ou ideia. Trata-se de repetir o questionamento cinco vezes, até que seja possível identificar a causa-raiz de determinada situação ou problema, partindo da análise do sintoma, desvendando causas imediatas ou desculpa responsável, e causa até chegar à causa-raiz.

Sem dúvida, é imprescindível buscar compreender a mensagem e o contexto do ponto de vista de quem a emite, separando, mas não ignorando, os fatos, os impactos, os sentimentos, as projeções e as ações envolvidas. Perguntar para entender melhor.

Mas… e Aristóteles?

Ele continuava na minha mente. Lembrei então das perguntas como ferramenta retórica, para dar mais didática ao discurso. Quando usamos interrogativas para dar gancho para aprofundarmos a explicação.

Recurso útil, principalmente na fase de planejamento da comunicação, para organizar o pensamento e antecipar possíveis questões. Todavia, seu uso explícito exagerado pode escapulir para a pieguice e até infantilizar o diálogo. (Vale assistir ao episódio ‘Professora’ do Porta dos Fundos sobre o tema.)

Certas incertezas

Temos sido criados para buscar as certezas, mas é a dúvida que move a humanidade a novas descobertas. As afirmações e as negações são limitantes, restritivas. E isto tem sua razão prática. Discussões intermináveis gastam energia e não apontam condições para atuação prática.

No entanto, há situações em que as certezas podem excluir novas possibilidades. Seja quando os problemas começam a ser recorrentes, quando os engajamentos enfraquecem, seja quando a crise congela a criatividade ou quando os conflitos parecem irreconciliáveis. É importante que o líder comunicador provoque sua equipe: ‘O que mais é possível aqui? O que pode melhorar? O que ainda não estamos enxergando?’.

Não se trata de desconfiança, mas de ampliação da visão. Não é questionar a credibilidade ou a verdade dos discursos alheios, mas abrir a mente para outras possibilidades, além do que está exposto. Realizar o exercício da dúvida saudável com seu grupo de trabalho amadurece a comunicação do time e abre espaço para a construção coletiva de novos significados e experiências. Então, quando as certezas não derem conta, duvide!

Fernanda Galheigo é jornalista com foco em comunicação interna e fortalecimento da liderança. Mãe de gêmeos, é apaixonada pela comunicação como forma de cura, ferramenta de gestão e de qualidade de vida.

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