COMUNICAR É PRECISO - Mergulhando na caixa de brinquedos.

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O que o ‘pensamento puzzle‘ e o ‘pensamento Lego’ podem nos ensinar?

Quando eu era criança, tinha verdadeiro encantamento pelo balde azul de Lego do meu irmão. Aquele brinquedo abria um portal de possibilidades de trazer concretude para a imaginação. Aquelas peças geniais, baseadas em um único tipo de encaixe circular, em suas diferentes apresentações, que nos permitiam ir da máquina de escrever e da casinha ao foguete em minutos.

Imagina qual não foi a minha surpresa, quando adulta, ver crianças montando o jogo como um mero quebra-cabeça e, ainda, a partir de orientações ilustradas para reproduzir o brinquedo da caixa e nem cogitando a possibilidade de desmontá-lo depois para criar novo sentido.

A experiência me jogou direto para a recente infância dos meus filhos e a vivência inversa, quando muitas vezes mantinha um sorriso amarelo (do estímulo materno, sem tanto entusiasmo) a cada brinquedo ou jogo que ganhavam rapidamente desconfigurado e convertido em um outro que fazia total sentido para eles (só para eles).

O que estas duas formas de pensar ludicamente dizem respeito ao nosso processo de comunicação?

Por um lado, ‘um pensamento puzzle‘, que é capaz de organizar e encaixar diferentes peças e formas de conexões para trazer um produto esperado. Um fazer que possibilita um método claro, bordas, cores, classificações de encaixe para chegar no objetivo traçado de conhecimento comum. Um trabalho fácil de executar em grupo. Fazendo um paralelo, uma ‘comunicação puzzle‘ seria ‘encaixável’, clara, assertiva, de fácil consumo, mas reacionária, previsível.

De outro lado, um ‘pensamento Lego’, fluido, sem apego, um tanto caótico, que conecta e desconecta. Uma comunicação fática que só faz sentido na conexão, na troca no tempo presente, no teste de sentido, pois convive com hiatos de caos da desconexão e se reconfigura conforme o contexto.

Existe um melhor que o outro? No meu entendimento, não. Penso que o saudável seja passar de um tipo de pensamento para outro. De uma comunicação para outra, de forma consciente e consistente. Não existe criatividade que sobreviva ao caos permanente e não há organismo que suporte estabilidades estéreis.

O desafio para a comunicação talvez seja encontrar os encaixes suficientemente simples que nos permitam realizar conexões além do ordinário.

Crédito das imagens: WikiCommons.

Fernanda Galheigo é jornalista com foco em comunicação interna e fortalecimento da liderança. Mãe de gêmeos, é apaixonada pela comunicação como forma de cura, ferramenta de gestão e de qualidade de vida.