COMUNICAÇÃO NA SUSTENTABILIDADE - Diversidade e inclusão: como a pandemia apresenta oportunidades e fomenta o debate. Por Sabrina Petry.

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O que podemos esperar da atuação das empresas em Diversidade e Inclusão no nosso atual momento? A princípio, a sensação e a expectativa conservadora nos dizem que um planejamento nesse sentido deveria ser congelado a fim de priorizar medidas mais urgentes e voltadas para a gestão de crise no curto prazo. No entanto, é preciso pensar no quanto a própria diversidade é uma aliada nesse momento. Como?

Não é novidade que uma gestão que conta com lideranças e equipes diversas garante mais rentabilidade financeira e um melhor desempenho em meio a crises, pois está munida de diferentes olhares e perfis que apresentam soluções distintas e pontos de vista diversos, contribuindo para tomadas de decisão mais acertadas e que contemplam diferentes cenários apresentados.

A McKinsey publicou estudos em 2010 e novamente em 2018 que revelaram que empresas com mais diversidade em seus quadros executivos têm melhores resultados financeiros. A mais recente apontava que empresas com mais equidade de gênero na liderança têm uma probabilidade 21% maior de ter margem de lucratividade superior a de seus pares. Quando o grupo estudado é o de equidade racial, esse percentual é ainda maior: 33%.

No momento atual, os desafios de equidade e de inclusão ficam ainda mais escancarados, uma vez que as fragilidades das organizações estão mais expostas. E é justamente diante deste cenário que as oportunidades em diversidade se colocam.

Temos acompanhado o recente e crescente movimento de combate à violência racial, por equidade étnica e pró-democracia. Os temas não são novos e são conhecidas as consequências gravíssimas de um mundo que ainda convive com o preconceito racial em todas as suas esferas, incluindo a do trabalho.

Diante desse cenário, será ainda mais fundamental trabalhar os grupos de raça e etnia nas empresas, uma vez que a pandemia e seus efeitos socioeconômicos aumentarão o abismo social que vivemos no Brasil, ampliando as desigualdades e trazendo ainda mais desafios a serem enfrentados. Para além dos benefícios para as organizações, as companhias precisarão mais do que nunca desempenhar seu papel social na reconstrução do mundo que queremos reinventar.

Quando falamos de aspecto geracional, a questão da digitalização dos negócios pode ser um desafio para o grupo 60+ e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para a empresa trabalhar a cooperação multigeracional, promovendo programas de mentoria reversa, por exemplo, e de treinamento com foco no aprimoramento contínuo, um benefício para os colaboradores e para a própria organização.

Por outro lado, a questão da inclusão de pessoas com mobilidade reduzida subitamente ganhou um aliado com a implementação do home office pela maioria das instituições, que poderão abrir novas vagas para este perfil, ao mesmo tempo em que adequam suas operações com foco no médio e longo prazo.

Quando falamos de gestão de crise, a presença de mulheres em cargos de liderança também tende apresentar resultados positivos. Não pela natureza biológica da mulher, não é aí que reside a diferença, mas sim ‘devido à forma como somos socializados. Isso porque é mais aceitável que as mulheres sejam líderes mais empáticas e colaborativas. E, infelizmente, há mais homens que se enquadram na categoria narcisista e hipercompetitiva’, como explica Rosie Campbell, diretora do Instituto Global para Liderança Feminina do King’s College London. Dessa forma, a gestão feminina tende a ser mais diversa e horizontal, proporcionando mais pontos de vista e propostas de soluções, o que pode ser decisivo num momento como o que estamos vivendo.

O momento, portanto, é de olhar sim para a diversidade e, através dela, inovar em produtos, serviços e nos modelos de operação, atendendo com excelência, ao mesmo tempo, a clientes, acionistas, colaboradores e sociedade.

Sabrina Petry é jornalista, com experiência de 6 anos em redação na Folha de S.Paulo (Sucursal do Rio) e mestrado em Direitos Humanos pelo Institute of Commonwealth Studies (School of Advanced Studies), da University of London. Trabalha na área de desenvolvimento sustentável, responsabilidade social corporativa e sustentabilidade desde 2005, tendo passado pelo Terceiro Setor e por consultorias independentes e é sócia-diretora da Lamparina Comunicação e Sustentabilidade, desde 2012.