COMUNICAÇÃO CORPORATIVA DE QUALIDADE - Profissional 'tudo em um': uma realidade de mercado.

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Muito já se falou e escreveu sobre comunicação integrada – profissionais de diferentes áreas atuando cada um dentro de sua especialidade, mas com intersecção de conhecimentos e práticas, em busca de resultados comuns.

O tema merece um novo olhar no atual contexto de mercado, onde cada vez mais se exige que o profissional de comunicação seja multitarefa e atue em múltiplas plataformas. Muitos dirão: trata-se de uma estratégia das empresas para reduzir custos, no cenário de recessão econômica. Em grande parte, verdade. Mas, por outro lado, dá para imaginar, neste mesmo cenário, que uma empresa tenha capacidade de manter um profissional para cada atividade específica?

Não dá para esquecer que a tecnologia permite a execução de várias etapas de um processo por uma única pessoa.

Há menos de três décadas, fazer um jornal de empresa, por exemplo, envolvia diversas etapas – após a coleta das informações, a redação do texto na máquina de escrever e sua posterior redigitação na fotocompositora; a fotografia captada, revelada, ampliada em papel e posteriormente com suas dimensões recalculadas para inserção no diagrama; o cálculo e o desenho manual da diagramação e depois a colagem das tiras de fotocomposição no espelho de montagem; a revisão a exigir posterior colagem manual de emendas sobre palavras erradas… Natural que houvesse, necessariamente, muitas pessoas envolvidas, cada uma trabalhando em um ambiente específico e com equipamentos e materiais próprios. Hoje, tudo isso pode ser feito por uma pessoa no computador, ou mesmo no celular.

Não se está defendendo, aqui, que as empresas desrespeitem legislações trabalhistas e regulamentações profissionais ou aviltem salários – nem que os profissionais compactuem com isso. Mas o fato é que existem zonas de sombra em que cabe a reflexão sobre a pertinência da rigidez profissional na atualidade. Por exemplo: em uma equipe de comunicação corporativa, quem redige postagens para as mídias sociais? Só jornalistas? Exclusivamente RPs? É tarefa de publicitários? Se estas envolvem captação de fotos ou vídeos, isso só pode ser feito por um fotógrafo ou cinegrafista? Ou texto e imagem podem ser gerados pelo mesmo profissional? E se todos atuarem colaborativamente, os esforços não serão menores e os resultados, melhores?

Vamos imaginar, por outro lado, um jornalista contratado como free-lancer para produzir conteúdos para as mídias sociais de uma organização. Esta tarefa implica transitar não só pela produção de textos, mas também pela de imagens e vídeos, entre outros recursos. Ao mesmo tempo, as postagens podem mesclar temas para o público em geral com outras dirigidas à comunidade interna, visando engajamento. Aí o profissional alega que é jornalista, trabalha exclusivamente com redação. Para fotos precisa de um fotógrafo; para vídeos, de um cinegrafista; para layouts, de um designer; e para comunicação interna, de um relações públicas… alguma chance de dar certo?

Questões, sem dúvida, polêmicas e delicadas. Não se defende aqui que o mercado regule o fazer profissional. Mas não há como negar que ele vai moldando novos perfis e que quem souber se adaptar a eles, dentro dos limites éticos, tem mais chances de conquistar e manter seu lugar ao sol.

Elisa Kopplin Ferraretto é jornalista e mestre em Comunicação e Informação. Atua como assessora da Direção do Hospital de Clínicas de Porto Alegre para temas estratégicos de Comunicação.

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