Como grandes marcas podem influenciar no posicionamento das redes sociais com relação a conteúdos? Por Kelly Helena.

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Desde que começaram os protestos antirracistas nos EUA, motivados pela morte de George Floyd, muitas marcas cobraram posicionamentos das maiores redes sociais do mundo, como o Facebook.

O que chama a atenção de muitas pessoas e de muitas marcas que investem nas plataformas é a facilidade com que pessoas e grupos de pessoas conseguem fazer publicações racistas e/ou violentas sem que nada seja feito por parte da rede social.

Isso ficou bem evidente quando, por conta dos protestos, Donald Trump publicou tanto em seu Twitter – como em seu Facebook – uma mensagem em que dizia ‘Quando começarem os saques, começam os tiros’.

A afirmação causou muita revolta em todo o mundo e foi sinalizada no Twitter com um rótulo de conteúdo incitador de violência, ao contrário da plataforma de Mark Zuckerberg – que não fez qualquer tipo de filtragem na publicação.

Essa foi uma publicação de alcance global já que foi proferida pelo presidente dos EUA, mas, mesmo postagens que não têm tanto alcance, também causam revolta, de um modo geral, pelo mesmo motivo.

O fato é que, por conta disso, grandes marcas estão deixando de investir na plataforma Facebook como uma forma de boicote a fim de cobrar uma posição da rede social.

Para se ter noção do tamanho que isso tem, só pelo fato de grandes marcas dizerem que vão deixar de investir na plataforma, as ações do Facebook caíram 8,3% – perdendo, na última sexta-feira (26), em dinheiro, US$ 7,2 bilhões (a menos na conta do tio Mark).

Agora imagine; se só um anúncio dessas marcas foi capaz de fazer com a rede social perdesse tanto, o que acontecerá quando elas não só anunciarem como, de fato, deixarem de investir na plataforma?

Uma dessas grandes marcas – a Unilever -, só no último ano, investiu cerca de US$ 42,3 milhões no Facebook, segundo o banco de dados e plataforma de inteligência ‘Pathmatics’. Seu anúncio de não investimento no Facebook fez a rede social perder US$ 56 milhões de valor de mercado.

Em seu comunicado, a Unilever – que é dona das marcas Dove, Hellmans e Clear entre outras tantas -, disse que, ‘Continuar anunciando nessas plataformas no momento não agregaria valor às pessoas e à sociedade. Vamos monitorar continuamente e revisaremos nossa posição atual, se necessário’.

Ela, no entanto, não foi a única. Outras empresas como Verizon, Ben & Jerry’s , The North Face, Magnolia Pictures, Patagonia, REI, Eddie Bauer, também anunciaram a paralisação de seus investimentos na rede social.

E, para piorar (ou melhor, melhorar), após a declaração da Unilever, a próxima a se pronunciar sobre seu afastamento nos anúncios da rede foi a gigante Coca-Cola, que deixou clara sua insatisfação com relação a manifestações de ódio que não foram solucionadas pelas grandes empresas de tecnologia.

Em sua nota, o CEO da Coca-Cola, James Quincy, disse que ‘Não há lugar para o racismo no mundo e não deve haver nas redes sociais. Tomaremos esse tempo para readequar nossas políticas de publicidade e determinar as revisões, caso sejam necessárias’.

A empresa Diageo também anunciou – um dia depois -, que não fará publicidade nas principais redes sociais durante o mês de julho, mas que está aberta a conversas sobre os posicionamentos que as redes tomarem com relação aos conteúdos criticados.

Toda essa debandada de marcas das redes sociais de Zuckerberg (Facebook, Instagram|) pode parecer não ter tanta importância diante do tamanho do império do dono do Facebook, mas pode ser o início de uma grande onda de boicote às redes sociais, fazendo com que outras marcas também adiram ao mesmo posicionamento, o que no final, pode custar muito caro às plataformas.

Preocupado, mas, ponderado, Mark se pronunciou logo em seguida aos anúncios, dizendo que estão ‘expandindo nossa política de publicidade para proibir afirmações de que pessoas de uma raça, etnia, origem, religião, casta, orientação sexual, identidade de gênero ou imigrantes sejam tratadas como ameaça à integridade física ou a saúde das demais pessoas’.

Vale lembrar que tanto o Facebook como seu dono vêm sendo alvos de críticas há bastante tempo, mais precisamente, desde que foi descoberto que dados de usuários no Facebook foram usados para tentar manipular eleições que elegeram Donald Trump – o que, desde então, abalou a confiança de usuários e empresas que investem na plataforma.

Kelly Helena é formada em Jornalismo pela Unitau, tendo trabalho em jornais impressos, TV, revista, assessoria de imprensa e há mais de cinco anos no Marketing Digital, sendo especialista em conteúdos inbound.