COLOCA NA RODA - A comunicação deve agregar valor.

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Seja no jornalismo, no marketing de conteúdo ou nas outras áreas que se enquadram dentro da comunicação, o ato de comunicar é carregado de significado e propósito.

Não é à toa que a comunicação é um direito humano e que na tradução da origem em Latim, a palavra significa ‘tornar comum’ ou ‘comungar’. Neste contexto, refletir sobre o que estamos comunicando e qual o impacto que nossa mensagem pode causar no outro é fundamental.

Alguns autores definem a comunicação como uma moeda de troca do século XXI. Ou seja, qual é a qualidade da troca que nós enquanto comunicadores – ou pessoas que recebem estímulos o tempo todo por parte de jornais, redes sociais e aplicativos de mensagem – queremos passar?

Recentemente, me questionei sobre o assunto em duas situações. A morte do apresentador e jornalista Gugu Liberato e o desencontro de informações sobre essa fatalidade foi uma delas. Após sofrer um acidente em sua casa no exterior, Gugu ficou por 48 horas em observação. No entanto, antes mesmo da confirmação do óbito, as redes sociais foram tomadas por compartilhamento da notícia e isso gerou uma série de questionamentos sobre a falta de sensibilidade com o momento, ainda mais quando a família nem havia se manifestado. Infelizmente, a notícia foi confirmada. Porém, por qual motivo as pessoas e, pior, veículos de comunicação, saíram compartilhando as notícias sem confirmar os fatos?

Noticiar a morte de alguém é uma das missões mais delicadas que o jornalismo pode ter. Todos os dias pessoas morrem e quando uma figura tem uma trajetória na televisão, o foco desse óbito ganha proporções muito maiores mas, ainda assim, é uma questão delicada.

É de se questionar o preparo que as pessoas que trabalham com comunicação possuem para lidar com esses momentos. Afinal, assim como a comunicação é um direito humano, o respeito e a empatia com familiares também – e coberturas sensacionalistas podem trazer audiência, mas não agregam valor algum. Aliás, até a relação da audiência com coberturas mais complexas vem sendo questionada atualmente (que bom, afinal).

O papel do jornalismo – e da mídia de forma geral -, não é construir discursos vazios, apelativos e ter orgulho de violar as normas éticas não só da profissão, como também da sociedade. Tudo o que falamos tem um impacto no imaginário social e cabe avaliar se a mensagem em questão agrega valor ou só reproduz o injustificável.

Outra situação que trouxe-me um incômodo recentemente foi a cobertura de uma tentativa de suicídio no programa ‘Tribuna da Massa’, em Curitiba, no dia 18 de novembro. As imagens mostraram uma mulher em cima de uma ponte em um momento aterrorizante e sendo acalmada pelos bombeiros.

Em alguns momentos da cobertura o apresentador do programa falou que tinha receio de mostrar a tentativa ‘ao vivo’ e que se a pessoa em questão concretizasse o ato de se jogar, a transmissão seria interrompida. Como justificativa para a cobertura a emissora afirmou que gostaria de ajudar os familiares a identificar a vítima, a pedido das autoridades.

É certo que é importante falar sobre suicídio e formas pelas quais as pessoas podem procurar ajuda é algo válido, como até já abordamos durante o Setembro Amarelo. Porém, no que essa recomendação das autoridades – ou transmissão ao vivo para centenas de espectadores – agrega valor?

Será que não teria como as autoridades pensarem em outra forma de se comunicar com os familiares. A situação é de fato desesperadora, mas o grau de exposição na TV aberta é muito delicado.

Vivemos em tempos que as tragédias e notícias são replicadas a uma velocidade incontrolável. Portanto, é importante reforçar o tema de início: como essa mensagem agrega valor e de fato é uma moeda de troca para quem assiste?

Mais do que reflexões, é preciso buscar a transformação na prática. Gostou do tema da vez ou tem alguma sugestão para a coluna? Coloca na roda!

Bruna Martins Oliveira é jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. É autora da monografia ‘O Transtorno Bipolar na perspectiva da mídia: uma análise do Paraná no Ar’. Tem experiência no jornalismo de rádio (Grupo Lumen de Comunicação), além de ter trabalhado como repórter freelancer na Secretaria do Esporte e do Turismo do Paraná e no jornal Gazeta do Povo.

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