Carlos Brickmann no OCI, 20/10/2014.

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Veja quem ganha as eleições.

Ibope, Datafolha, institutos de pesquisas são para os fracos: acertam na maioria das vezes, mas há também casos de erro. A cada pesquisa que divulgam, aparece alguém insatisfeito com o resultado dizendo que não foi ouvido e não conhece ninguém que o tenha sido – como se fosse fácil conhecer algum dos três mil entrevistados numa população de 200 milhões de habitantes.

Para os fortes, há o melhor instituto do mundo, o DataCarlos, que não erra nunca. Pesquisas do DataCarlos não têm margem de erro para cima ou para baixo. Seu intervalo de confiabilidade é de 100%. E só não é superior a 100% porque o maior especialista mundial em números impossíveis, Guido Mantega, não veio ainda trabalhar conosco (nem virá, que aqui ninguém é doido).

O DataCarlos não tem pesquisadores, não faz entrevistas, não se preocupa com amostragens, e só sabe o nome dos candidatos porque saem todo dia nos meios de comunicação. Pois nem o nome dos candidatos afeta a pesquisa.

E agora, a resposta que todos querem conhecer: o vitorioso nas eleições será o PMDB. Ganhe Dilma ou ganhe Aécio, o PMDB, sob o comando de Michel Temer (ou de outro líder que melhor encarne os interesses partidários), governará o Brasil. Vai nomear os ministros importantes, faturar (eita, palavra perigosa!) os êxitos da administração, escolher até os jardineiros (fantasmas) de cada prédio público, do Oiapoque ao Chuí.

E com a vantagem de, em caso de fracasso, botar a culpa na pessoa que os cidadãos comuns pensam que é presidente.

Por falar nisso

O ministro da Previdência, Garibaldi Alves, PMDB, anunciou que pode deixar o cargo, irritado com a notícia de que Lula pedirá votos para Robinson Faria, PSD, que disputa o Governo do Rio Grande do Norte com Henrique Alves, seu primo. Garibaldi disse que conversou com Henrique sobre a saída do Ministério. E Garibaldi deixaria um cargo bom para protestar contra Lula? Ou, falando peemedebês, se Lula põe em risco o cargo que Henrique quer ocupar, Garibaldi deixa aquele que já ocupa, e que mexe com verbas imensas? Não, não.

Mas, se Garibaldi farejar que o poder pode mudar de mãos, não terá dúvida em deixar o Governo que termina (e buscar um no Governo que se inicia). Ganha sempre.

Ideias, não. Porradas

Está meio em cima da hora, mas alguém poderia contar aos candidatos que, num debate, eles não se dirigem aos adversários, mas aos eleitores? Se gritar e olhar feio para os adversários funcionasse, o dr. Enéas teria sido presidente. Bolsonaro fala grosso, Erasmo Dias falava grosso, mas quem chegou lá foram Itamar, Sarney, Fernando Henrique, que podiam bater forte, mas com voz suave. Telespectador gosta de vale-tudo no debate, mas vota em quem não o assusta.

Obama e Clinton não levantam a voz. De Gaulle era tonitruante – mas tinha uma história que lhe permitia exageros. Não é o caso de Aécio nem de Dilma.

Tranca-neurônios

De uma notícia distribuída à imprensa por um órgão do Governo Federal:
“Ministro Gilberto Occhi cumpre agenda sobre MCMV em São Paulo”
Vamos lá: que cargo ocupa o ministro Gilberto Occhi? E que será MCMV?

Carlos Brickmann é informação: Occhi é ministro das Cidades. E MCMV é como os burocratas chamam o programa “Minha Casa Minha Vida”.

Desrespeito ao consumidor

O engenheiro Jaime Waisman, leitor desta coluna, comprou no Magazine Luiza, em São Paulo, um aquecedor Britania. Conseguiu usá-lo uma vez: a resistência queimou. Levou-o em garantia à Hi-Tech Tecnologia Eletrônica, indicada pelo Manual do Fabricante. De 23 de agosto até hoje, nada: o aparelho continua enfurnado na oficina, por “falta de peças”. O frio acabou, o descaso não.

Atenção, Magazine Luiza; atenção, Britania; atenção, Hi-Tech: será preciso abrir processo contra vocês? Esta coluna pretende acompanhar o caso. Cliente merece respeito.

A CUT e a lei

Pois é. A 1ª Vara do Trabalho de Brasília condenou a TVT (do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ligado à CUT), por descumprimento das leis trabalhistas. Um cinegrafista de uma empresa terceirizada pediu reconhecimento do vínculo empregatício com a TVT; o juiz decidiu que não se pode terceirizar a atividade-fim da empresa. ATVT foi condenada a reconhecer o vínculo, assinar a carteira do cinegrafista e pagar-lhe os direitos do tempo em que trabalhou lá – 18 meses.