CAFÉ COM GESTÃO - Nem sempre o remédio é docinho. Por Patricia Bartuira.

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Esta semana, ela voltou a aparecer. A tão temida lista das agências. Consta da terceira versão do famoso Google Docs, onde anônimos comentam suas experiências, salários e outras ‘cositas mas’ das agências de publicidade e comunicação do Brasil. O arquivo é longo, com um número bastante expressivo de agências na berlinda.

Eu já havia visto essa planilha das outras vezes mas, sempre, mais preocupada e focada na avaliação do lugar onde eu estava. Desta vez, meu olhar foi bem mais amplo, o que me levou a boas risadas, devo confessar!

A similaridade das reclamações é incrível… arrisco dizer que a grande maioria são questões de falta de gestão.

Realmente, não é fácil agradar a todos, e uma planilha anônima não é o melhor lugar para buscar inspiração para mudar. Mas não deixa de ser um alerta.

Isso me faz lembrar de uma história: conheci uma pessoa super sênior que foi desligada de uma agência do dia para a noite… e eu fiquei sem entender o porquê… Como eu havia acabado de chegar, fui fazendo algumas perguntas, até conseguir ligar os pontos. Ele foi demitido por ser um ótimo profissional!. Assustador, não é?

Fui mais a fundo. Na verdade, ele era ótimo no seu trabalho, na qualificação de equipe, mas não tinha características de vendedor e, por isso, não poderia crescer. Na época, eu questionei se não valeria a pena mantê-lo, em uma outra função, já que era um profissional tão qualificado, tão bem avaliado pelos clientes, tão bom em formar equipes, querido por todos. Não havia necessidade dele se tornar gerente, mas as pessoas me olharam como se eu fosse louca.

Esse tipo de carreira em Y é bem comum no segmento de tecnologia. O profissional escolhe continuar técnico e, apesar disso, consegue continuar crescendo.

Essa agência já havia investido nesse profissional por anos. Os clientes gostavam dele. Gostavam dos seus resultados. Ele poderia disseminar essa cultura e fazer com que outros profissionais aprendessem essa excelência. Não entendo, até hoje, as razões para jogar tudo isso fora. O pior é saber que isso continua acontecendo.

Aí, quando você lê na planilha que os gerentes são braços curtos, tipo ‘Horácio’ (o dinossauro verdinho das histórias em quadrinhos), que não sabem entregar os trabalhos, e que as direções das agências não veem isso, percebo que o olhar das diretorias continua sendo equivocado. Quem faz o sucesso das agências são as pessoas. Elas precisam ser treinadas, desafiadas e valorizadas, dentro de um ambiente ético, salubre e estimulante. E nem todas precisam vender serviços para bater as metas de novos negócios. A grande maioria precisa, sim, fazer um trabalho bem feito, criativo e correto para MANTER os clientes atuais, o que, considerando todo o cenário, já é um enorme desafio.

Deixo aqui uma sugestão para os gestores das agências: leiam a tal malfadada planilha. Tirando os extremos, talvez alguns comentários sejam realmente validos para melhorar o ambiente, a postura e a estratégia da sua agência. Nem sempre o remédio é docinho.

Patricia Bartuira é profissional de comunicação corporativa com mais de 18 anos de carreira, apaixonada por tecnologia, inovação e, acima de tudo, gente! Passou por algumas das mais importantes agências do Brasil e foi Jurada da categoria de PR do Festival de Cannes 2018.

Uma resposta para “CAFÉ COM GESTÃO – Nem sempre o remédio é docinho. Por Patricia Bartuira.”

  1. Marli disse:

    Parabéns!!

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