Assessoria de comunicação: 4 sinais de que você está acumulando funções. Por Francys Albrecht.

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Definir o conceito e os limites do trabalho em assessoria de comunicação, por vezes, é complicado, inclusive, para os próprios comunicadores. Não raro, a abrangência desta posição pode sobrecarregar o assessor, seja por desconhecimento do contratante ou por uma tentativa de economizar em serviços especializados para cada área. Se você trabalha ou está pensando em iniciar na carreira de assessoria de comunicação, vão aqui quatro sinais de alerta para não extrapolar nas atividades desempenhadas.

1. O que é assessoria de comunicação?

Diferentemente do que podem pensar, assessoria de imprensa e assessoria de comunicação não são sinônimos. A primeira diz respeito à comunicação institucional externa e o relacionamento com os veículos de imprensa. A segunda é encarregada pela comunicação corporativa, fortalecimento da imagem interna, produção de eventos e imagem institucional.

O trabalho do assessor de comunicação pode desdobrar-se em funções que sejam voltadas ao público externo como nutrir redes sociais e sites, envio de releases, produção de material gráfico. Entretanto, este não é o objetivo. A integração dessas atividades, em um ambiente ideal, é desempenhada pelo núcleo de comunicação. Afinal, falamos de um assessor e não uma agência, não é mesmo?

2. Assessor não é Social Media

Marcar a presença corporativa nas redes sociais é desejo de todas empresas que se preocupam com a sua imagem. A popularização destas ‘mídias’ pode sobrecarregar os assessores pelo ímpeto de estarem presentes em todos canais. O fato é que o trabalho de social media é estratégico e demanda muita atenção desenvolvendo calendário de postagens, análise de tendências, gerar relatórios, monitorar concorrentes e responder as interações.

Apesar de o assessor de comunicação estar por dentro de tudo o que se passa na empresa e ser a cabeça pensante por trás da imagem institucional, ele deve trabalhar em conjunto na criação de campanhas e não ser o responsável pelas redes sociais.

3. Assessor não é assistente de RH

Desenvolver ações de comunicação em conjunto com o setor de RH pode trazer resultados incríveis para uma empresa como o aumento da produtividade, envolvimento e identificação com a empresa e aumento da autoestima dos trabalhadores, porém, essa é uma tarefa bilateral. O assessor não possui dados sensíveis do departamento de pessoas e as trajetórias individuais, por exemplo. É comum que a assessoria de comunicação fique responsável por realizar campanhas e eventos internos, promover projetos que alavanquem o engajamento coletivo, esteja à frente na organização de presentes em datas comemorativas e pensar em ações de boas vindas e despedidas. Contudo, as iniciativas devem surgir de RH e a comunicação cuidar do operacional.

4. Assessor não é Analista de Marketing

Outra especialidade da comunicação que, por vezes, recai sobre o colo da assessoria de comunicação é o marketing. Como dito, a imagem que a empresa quer transparecer é da responsabilidade do assessor, variando entre as funções de comunicação interna e externa, porém não significa que será responsável por todas elas. Analista de marketing, assim como social media, são funções complexas que demandam muito empenho e estratégias. Não há como um assessor estar integrado a todos os setores de comunicação institucional e ainda ficar no comando de campanhas de relacionamento com a marca, gerar novos leads, produzir conteúdo, gerenciar anúncios, mídia on e offline, estar em contanto com o setor comercial.

As campanhas de marketing podem e devem ser pensadas em conjunto com a assessoria, comunicando em consonância e fortalecendo a imagem corporativa, mas estas duas atividades não podem ser consideradas as mesmas.

Estabelecendo limites

Uma das grandes dificuldades para nós, comunicadores, é estabelecer limites para as nossas funções. Se um médico não é especialista em todas as áreas da saúde, um advogado em todos os segmentos do direito, por que o comunicador seria responsável por toda a comunicação de uma empresa? Esta divisão entre o que o contratante quer e aquilo que pode ser efetivamente feito está longe de ser uma realidade. Entretanto, umas das formas de quebrar esse ciclo de sobrecarga é ser objetivo sobre as atividades que serão desempenhadas, desde os primeiros contatos.

Outra prática que tende a ser positiva é realizar reuniões tendo em mãos medidores de performance como relatórios sobre as ações realizadas, resultados obtidos e ações planejadas para o futuro.

Você que trabalha em assessoria também deve ter em mente que é impossível abraçar todas estas funções e que, ao tentar fazer isso, terá um impacto negativo no desempenho de seu trabalho. É aquela história, cachorro com dois donos morre de fome. Se você cuidar um pouco das redes sociais, um pouco da produção de conteúdo, um pouco da comunicação interna, no fim, recursos, tempo e esforços serão gastos sem nenhuma efetividade.

Se você se identificou com os pontos destacados ou já conseguiu estabelecer esses limites, conte a sua experiência nos comentários.

Francys Albrecht é bacharela em Jornalismo e mestra em Mídia e Estratégias Comunicacionais pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Possui experiência em assessoria de comunicação e imprensa e produção de conteúdo. O e-mail disponibilizado para contato é ar.francys@gmail.com.