Antes e Depois do Coronavírus - um novo significado para AC/DC. Por Karina Grechi Tagata.

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As grandes revoluções da Humanidade são aquelas que mudam nosso modo de viver. E, talvez, a Idade Contemporânea tenha guardado para si o maior número delas ou pelo menos as que mais abalaram nossas convicções. Dos dias da queda da Bastilha até a Revolução Digital foram uns duzentos e poucos bem movimentados anos: capitalismo, burguesia, desenvolvimento industrial e tecnológico, desequilíbrios ambientais, globalização, e, claro, guerras… frias, em trincheiras, virtuais.

Esses movimentos são sempre viscerais porque nos obrigam a rever o curso da História; da nossa própria História individual inclusive. Desta vez não será diferente. A pandemia provocada pelo Coronvírus tem nos obrigado a reescrever o Anno Domini, datação que rege a era cristã: Antes do Corona (AC) e Depois do Corona (DC).

‘Nenhum homem é uma ilha’. Será que o filósofo e humanista inglês Thomas Morus ainda pensaria assim diante desse cenário?

Seres sociais por natureza, essa guerra invisível nos confinou a um isolamento que mudou tudo: o normal está radicalmente diferente, a forma como convivemos em família, como compramos, dormimos, trabalhamos, como nos relacionamos com o outro em todas as dimensões do comportamento humano, tudo mudou, num espirro. O que era normal há pouco mais de um mês hoje pode não caber mais nessa classificação. E é provável que nunca mais se ajuste. Bom? Ruim? Difícil dizer. A única certeza é que estamos vivendo um presente disruptivo.

Muhammad Yunus, criador do microcrédito e vencedor do Nobel da Paz, em artigo publicado pelo La Repubblica esta semana, defende que a próxima retomada da economia ‘não será implementada para trazer as coisas de volta para onde estavam antes. Será a recuperação das pessoas e do planeta. E as empresas deverão fazer seu papel para que isso aconteça’.

Yunus chama de possibilidades audaciosas, de ‘tábula rasa’, a tela em branco que cada organização começa a preencher nesses dias de pandemia: o que faz/fará sentido para consumidores e empregados e todos os outros stakeholders a partir de agora? Qual o tipo de empresa ‘DC’ (Depois do Corona) que as pessoas por trás desses papéis sociais esperam encontrar? Será que as marcas tão admiradas ‘AC’ (Antes do Corona) ainda o são/serão? Quais as novas marcas/negócios que emergirão? Que tipo de propósito mobiliza/mobilizará a sociedade de consumo?

A mim, parece que o influencer da vez, o grande influencer da revolução digital que estamos vivendo é a Covid-19. Ela dita regras, cria tendências e mostra – numa perspectiva bem darwiniana, que somente as empresas mais adaptadas e com um discurso que se reflete em suas práticas serão as top of mind. O walk the talk finalmente?

Uma coisa é fato: a pandemia vai passar, a revolução digital não. Alguém duvida que num futuro próximo só as empresas cuja cultura organizacional for de verdade, cujo DNA está na veia dos colaboradores são que as que liderarão o presente digital?

Karina Grechi Tagata é jornalista, especialista em cultura organizacional e apaixonada por marketing, atua como head de marketing e consultora de comunicação.