A responsabilidade socioambiental em desuso na mídia. Por Denise Rugani Töpke.

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Conforme prometido na coluna do mês de abril, hoje irei falar de como a mídia apresenta a RSE (Responsabilidade Socioambiental Empresarial) dentro do escopo da pesquisa que realizei durante o meu Doutorado, entre 2014 e 2018.

Realizei, na ocasião, uma análise de conteúdo das reportagens da Revista Exame (2007 a 2016) e do Guia Exame de Sustentabilidade (2007 e 2016), onde 339 textos foram analisados qualitativamente em relação às seguintes palavras-chave: acionista, colaborador, comunidade, consumidor, desenvolvimento sustentável, fornecedor, instituições financeiras, mídia, ONGs, PMEs, poder público, públicos, responsabilidade social, responsabilidade socioambiental, responsabilidade ambiental, responsabilidade corporativa, responsabilidade empresarial, stakeholders, sustentabilidade, sustentável e universidades.

A análise comparativa da revista Exame e do Guia Exame de Sustenta­bilidade, permitiu observar que o termo responsabilidade socioambiental empresarial e suas variações parece estar caindo em desuso no discurso da mídia, pelo menos no que tange ao número de repetições das palavras no recorte analisado. O conceito de triple bottom line de Elkington, por sua vez, parece ter relação com a mudança no discurso da mídia estudada, substituindo o uso dos termos relacionados à RSE pela noção de sustentabilidade.

Assim, com base no que foi observado no discurso das revistas, é possível afirmar que a mídia está construindo na contemporaneidade uma noção de RSE ancorada no triple bottom line de Elkington, na responsabilidade socioambiental estratégica e no conceito de CVC (criação de valor compartilhado) de Porter, uma vez que a ideia de que é possível ser ‘responsável’ e ‘sustentável’, concomitantemente à geração de lucro, já está subentendida.

Entretanto, na sociedade contemporânea, não é possível pensar a RSE com base em uma lógica dicotômica e unívoca, pois ela está ‘conectada’ a diversos campos de saber e é produzida por diversos atores sociais. Assim sendo, a mídia não é o único ator social que define o ‘conceito’ de RSE. A RSE é rizomática, polêmica, polissêmica e polifônica, uma vez que é agenciada pelos atores sociais, mas também os agencia na produção dessa noção contemporânea de RSE. Contudo, é importante ressaltar que não existe dicotomia e nem determinismo de um ator social sobre o outro, ou seja, não há prevalência de um sobre o outro, visto que, na lógica rizomática, há apenas ambivalência e sobredeterminação.

Denise Rugani Töpke é doutora em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social (UFRJ), mestre em Comunicação Social (UERJ), pós-graduada em Gestão de Pessoas (UNIGRANRIO), e em Marketing (IAG/PUC-Rio), graduada em Relações Públicas (UERJ). É professora do ensino superior há 10 anos. Coordena o curso de Marketing da Faculdade Gama e Souza desde 2008. Autora – com Fred Tavares – do livro ‘R$C: Responsabilidade $ocioambiental Compartilhada no Brasil’ (Appris, 2019).

 

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